Os avós da nossa crítica cultural

por Doris Miranda
Correio da Bahia / Data: 26/4/2004

O jornalista Luís Antônio Giron lança livro sobre as primeiras análises de arte na imprensa brasileira

Há 21 anos no jornalismo cultural, o gaúcho Luís Antônio Giron esquadrinha a corte brasileira no livro ‘Minoridade crítica‘ – ‘Pensei que ia encontrar especialistas e achei diletantes’ Um dos mais conceituados e exigentes críticos de arte do país, o jornalista gaúcho Luís Antônio Giron, editor de cultura da revista Época, se deu ao direito de fazer uma provocação – a si próprio e aos colegas. Resolveu esmiuçar os fundamentos que lhe servem como matéria-prima do exercício da profissão para dar corpo ao livro Minoridade crítica – A ópera e o teatro nos folhetins da corte’, que acaba de lançar pela Ediouro.

Movido pela curiosidade de saber quem eram, digamos, seu antepassados, ele fez um trabalho de arqueologia para reconstruir a árvore genealógica da crítica cultural brasileira, que gerou os chamados segundos cadernos atuais. ‘Achei interessante pesquisar sobre a história da crítica porque é meu ganha-pão e, de verdade mesmo, nós estamos falando mesmo, o tempo todo, sobre nosso próprio umbigo’, diverte-se. Giron, de verdade, descobriu coisas preciosas durante os nove anos de pesquisa, como, por exemplo, que a crítica não surgiu depois do Romantismo. Ao contrário do que se pensava, ela veio praticamente a reboque com a liberação da imprensa no país, em 1826, e efervesceu apaixonada até 1861, período que, segundo o autor, foi o mais importante para a construção do pensamento crítico do brasileiro.

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