por José Castello
O Globo / Data: 22/5/2004
Minoridade crítica, de Luís Antônio Giron, é um livro de fronteira. É fronteiriço na identidade dupla de seu autor, jornalista competente e crítico acostumado às avaliações feitas no calor da hora, mas também professor e perseverante pesquisador da universidade, no caso a Escola de Comunicações e Artes da USP, na qual a versão original do livro foi apresentada como dissertação em musicologia histórica em 1999.
Como reflexo dessa identidade dupla, é livro que alia a pesquisa minuciosa de nove anos ao estilo elegante, direto e atraente da imprensa. É, ainda, um livro sobre a ópera e o teatro do Império, mas também sobre a imprensa, em particular os folhetins daquele período, e mais ainda sobre a literatura e os grandes autores, como Martins Pena, José de Alencar e Machado de Assis, que nela despontaram. Essa ambivalência confere ao livro um caráter absolutamente exemplar.
Os empresários da literatura – Revista Época

Foto de Otávio Dias de Oliveira - ÉPOCA
CLUBE PRIVADO
Marisa Moura integra um grupo pequeno, ”meia dúzia de três ou quatro”
MERCADO EDITORIAL
Os empresários da literatura
Agentes literários como Lucia Riff fazem ponte entre escritor e editora, contribuindo para que os livros cheguem aos leitores
por FEDERICO MENGOZZI
Agentes literários, exclamaria Vinícius de Moraes, melhor não tê-los! Curiosamente, a obra do Poetinha é representada hoje por Lucia Riff, a maior agente literária brasileira, ex-funcionária da empresa que a mítica Carmen Balcells teve por aqui. Carmen foi a agente literária espanhola que, na prática, inventou a profissão nos países de cultura ibérica. Inspirada nela, Lucia abriu em 1990 a BMSR, que representa 45 autores brasileiros, grifes como Carlos Drummond de Andrade e Érico Veríssimo, e também jovens, como Letícia Wierzchowski, de A Casa das Sete Mulheres. Não exagera quem diz que ela possui quase metade da literatura atual do Brasil nas mãos – é tanta gente, e de tanto peso, que não aceita novos representados. Ela não recusaria um nome como o de Paulo Coelho. Mas o famoso escritor já tem uma agente exclusiva, Monica Antunes, que colaborou para sua projeção internacional. Como na mesa de um agente literário costuma cair mais joio do que trigo, Lucia prefere se concentrar em “seus” autores.