Origens da crítica musical no Brasil
Correio do Povo / Data: 27/6/2004
Uma pesquisa sobre as origens da crítica musical no Brasil
O jornalista e crítico Luis Antônio Giron levou nove anos pesquisando, de forma apaixonada, sobre as origens da crítica musical no Brasil. Esse é o tema de seu novo livro, Minoridade crítica, lançamento da Ediouro. Trata-se de uma antologia de textos raros ou inéditos de autores conhecidos como Machado de Assis, José de Alencar, entre outros escritores que também se dedicaram à polêmica pelos jornais e pelas revistas de sua época.
O livro de Giron concentra-se basicamente numa seleção de textos publicados em jornais no período de 1826 a 1861. São críticas ou crônicas publicadas num gênero que estava em moda no período, algo mais ou menos no meio do caminho entre o ensaio e o aforismo. O autor resgata, ainda, jornalistas esquecidos pelo tempo, como Joana Manso de Noronha, Saldanha de Marinho, Joaquim Noberto de Souza e Siulva, Émile Adêt, além dos que se ocultaram por trás de pseudônimos estranhos como Y. Y., O Montanhês, C. e O Amigo das Coisas Antigas.
por Fernanda Buarque de Hollanda
Jornal do Brasil / Data: 12/6/2004
Giron analisa os primeiros artigos sobre espetáculos musicais no Brasil
Machado de Assis, José de Alencar e Gonçalves Dias são nomes que remetem diretamente o leitor a obras consagradas da literatura nacional. O valor literário inquestionável de seus romances e poemas leva a crer que a produção desses autores foi marcada desde o início por um merecido reconhecimento. Mas nem sempre foi assim. Pertencentes a geração pioneira de críticos musicais brasileiros, esses escritores, assim como outros jornalistas, sofreram preconceito por produzirem artigos considerados superficiais, relegados aos rodapés das publicações da imprensa nacional.
O preconceito e o desinteresse por parte da imprensa e do mercado editorial – mesmo a publicação das obras completas de autores como Gonçalves Dias desprezou muitos desses artigos – já podem ser considerados retaliados. No livro Minoridade crítica, o renomado crítico musical Luís Antônio Giron analisa o trabalho de seus colegas mais antigos, os autores de crônicas sobre óperas e espetáculos musicais realizados no período de 1826 a 1861, no Rio de Janeiro. Giron demonstra que mesmo se tratando de uma atividade descompromissada, realizada por diletantes e não por profissionais com um conhecimento amplo sobre arte, a crítica produzida naquele período teve grande importância para a memória e para o progresso musical.