por Fatimarlei Lunardelli

Com uma sensação de alívio, o escritor Charles Kiefer concretizou há algumas semanas o antigo projeto de passar a administração de toda sua obra para um agente literário. Rendeu-se à implacável lógica capitalista: “se as regras do jogo são essas, então vamos dançar conforme a música”. O consagrado autor, com mais de 300 mil livros vendidos, estava exausto de comercializar, brigar por direitos autorais e outros quesitos desgastantes da indústria cultural.
Numa imagem romântica, a escritura de um livro é um processo íntimo, de um criador com idéias originais lutando contra o vazio de um papel ou tela de computador em branco. Terminada a criação, começa a parte difícil. Encontrar um editor, negociar custos e divulgar são tarefas infernais para a maioria dos escritores. Nesta altura, aquilo que era criação artística passa a ser produto na selva da sociedade de consumo. Fazer o livro chegar ao leitor é um desafio e requer competência e especialização.