Por Antonio Luiz M. C. Costa
Carta Capital / Data: 1/3/2006
Uma narrativa séria e apaixonante, apesar de parcial, da história dos sentimentos no Brasil
Os debates sobre os rumos do País e as comemorações dos 500 Anos do Descobrimento parecem ter despertado um duradouro interesse dos brasileiros pela sua história. Hoje, revistas e livros destinados a não especialistas têm um mercado que não se poderia imaginar há, digamos, 15 anos. A história dos costumes e da vida privada é particularmente rica. Não atrai só quem quer entender os problemas nacionais, mas também os interessados no folclore e nas maneiras de sua gente, ou os leitores de José de Alencar, Machado de Assis ou Erico Verissimo interessados no contexto das vidas dos personagens. É só parte das razões pelas quais vale a pena explorar o espaço aberto pela História do Amor no Brasil, da historiadora Mary Del Priore, fundado em pesquisa séria e escrito com paixão. Oferece muito a aprender e muito com que se surpreender com a forma como nossos precursores constituíam suas famílias e lidavam com seus desejos e sentimentos. Mas, se a autora queixa-se de que “estudar a história do amor segue, aos olhos das severas ciências que nos governam, um grave estigma de ligeireza”, suas excelentes intenções são às vezes traídas pelos descuidos da edição.