do blog Luís Antônio Giron
Começar uma série de crônicas da vida fácil da cidade pode soar como uma ousadia – ou mesmo leviandade. Mas minha gana é captar o movimento da megalópole a partir de uma perspectiva de alguém que não está nem da calçada nem da rua, mas observando tudo do meio-fio, naquela fronteira entre seres e carros, onde correm líquidos e pequenos gravetos que acreditamos perigosos. Aquele borda da rua junto à pista, feita de concreto ou paralalelepídeos dispostos um após outro e que sempre foge da nossa atenção, salvo quando o transeunte vai atravessar a rua. No meio-fio, a gente não está nem a bordo de um veículo, nem andando como um pedestre comum. Do meio-fio, é possível desconfiar dos dois mundos que ele divide, numa linha concreta, num degrau muitas vezes perigoso.
Me lembrei da bonita canção de Arnaldo Antunes e Rita Lee, intitulada Meio Fio, que diz o seguinte: