Chavões urbanos

do blog Luís Antônio Giron

Numa cidade em que tudo se descarta, os chavões têm uma capacidade incrível de se renovar, mais que os neologismos. Quem disse que os chavões hoje se repetem ad nauseam? Nada disso! Agora, pelo menos nas ruas de SP, eles se proliferam e inovam. Assim como o novo 40 é o 38 (diz a turma fashion) e o novo homem de 50 anos é o de 70 (é o que sonham os exterminadores da CLT), o novo neologismo é o chavão.

Quando me deparo, pelo reflexo da vitrina, tentando me equilibrar entre rua e calçada, percebo que tenho o futuro brilhante pelas costas como inventor de palavras. O otário de hoje é o gênio de anteontem. Nada vai acontecer além da sucessão de listras brancas e vazios cinzentos. Título: “Vencido pelos chavões”. Corro deles, tropeço neles. Os chavões, sim, têm um belo amanhã porque eu e a torcida do Corínthians – além das outras – demoramos cada vez mais para notar a existência deles.

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