Diabos do asfalto

do blog do Luís Antônio Giron

Não há quem não se irrite com os motoboys. A começar por eles próprios, que parecem revoltados com a vida que levam – e descontam nos outros motoristas.. Em São Paulo, formam um exército de 200 mil integrantes. Uma estatística informa que morrem em média dois motoqueiros por dia na cidade. A cena é banal e terrível: o sujeito de capacete estatelado no chão, agonizando sob a indiferença rancorosa dos carros. É a guerra no asfalto.

Nem os pedestres escapam à sanha deles pela alta velocidade. Não raro, abatem um pedestre que tenta atravessar a rua. Semanas atrás quase fui colhido por um motoboy na avenida Europa, não longe do local onde o músico Marcelo Frommer foi fatalmente atropelado por um motoqueiro, no início do século.

Mas teimo, continuo a evitar o pânico social e sigo o caminho. Nos meus passeios pelas bordas das calçadas, observo o comportamento dos motoboys. Eles lembram seres sobre-humanos, anjos diabólicos do asfalto, enlouquecidos na “costura” que fazem entre os outros veículos, num zigue-zague dos infernos. Atravessam as avenidas congestionadas como se não possuíssem corpos, nem pilotassem máquinas. São o símbolo desta época em que o espaço està sendo abolido em nome do tempo. A aceleração das motos torna difuso o mundo em torno delas, borra os limites e converte o motoboy em uma espécie de mensageiro fantasma tão útil quanto perigoso.

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Bisneta da condessa

O Globo / Data: 20/12/2008

Descendente da mulher que foi a paixão de D. Pedro II fala das cartas que os amantes trocavam

Amantes de reis e imperadores rendem sempre ótimos livros. Disputa pela atenção, cenas de conquista e tráfico de influências originam histórias deliciosas. Mas esses casos de amor muitas vezes também constrangem — sobretudo quando os envolvidos têm filhos. Foi o que ocorreu com a família da condessa de Barral, a mulher por quem D. Pedro II derramou amor e admiração.

O romance entre os dois foi por muito tempo banido das conversas da família Barral, como se fosse inverossímil, conta a bisneta da condessa, Jeanne Marie Françoise de Barral Fernandes, de 76 anos, que mora no Flamengo e guarda tesouros como cartas escritas no século XIX por sua bisavó. “Nestas cartas, tem-se apenas uma pequena amostra do que foi o amor que compartilharam durante 34 anos”, descreve a historiadora Mary del Priore, no recém-lançado Condessa de Barral — a paixão do imperador (Objetiva).

— Não se falava do romance deles na família. Falava-se muito da amizade das duas famílias, a Real e os Barral. Meu pai encontrou as cartas de D. Pedro II amarradas por uma fita azul. Mas não conseguíamos decifrar porque a letra dele era ininteligível — conta Jeanne.

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