Vida de escritor

por Walcyr Carrasco
Veja São Paulo – 27/1/2010

Quando crio, mergulho profundamente na vida dos personagens. Ao terminar um livro ou, no caso, uma novela como a recente Caras & Bocas, apresentada pela TV Globo, arranco os cabelos, fico com mágoa da vida. Parece coisa de doido. Mas não é. Durante a criação, os personagens “ganham” vida. Tornam- se pessoas com quem convivo diariamente. Muitas vezes, até, escolho um destino, mas o personagem se revolta. A trama fica artificial e mudo tudo! Entendo que “ele” jamais faria isso ou aquilo. Óbvio que cada um tem um pedacinho de mim. Mas, quanto mais entrego, mais independência eles conquistam. Ainda mais no caso da telenovela, pois diariamente assisto à interpretação de um ator ou atriz que também coloca algo de si. Todos se transformam — até mesmo as vilãs — em amigos próximos! E, de um dia para o outro, boto a palavra FIM. Tudo termina! Digo adeus a quarenta, cinquenta personagens com quem convivia diariamente. Minha amiga Glória Perez certa vez declarou que é como “estar no naufrágio do Titanic e ser a única pessoa a se salvar”.

Com os livros acontece a mesma coisa. A vida de um personagem é paralisada, muitas vezes diante de uma decisão crucial. Em um dos meus títulos, A Palavra Não Dita, no último capítulo uma garota finalmente descobre quem é seu pai. E depois? Eles se deram bem? Ou nunca mais se viram? Bem fez Monteiro Lobato, que escreveu toda a coleção do Picapau Amarelo com a mesma genial Emília!

A vida de um escritor não é tão glamourosa como se imagina. Durante boa parte do tempo sou convidado para festas, estreias e eventos. Mas só vou raramente. Escrever é um trabalho solitário, que exige concentração, disciplina, vida pacata. Ainda mais durante uma novela, em que se desenvolvem de vinte a trinta páginas de roteiro por dia, dependendo do horário! Mas também nada é mais fascinante do que assistir a um capítulo da própria obra. É muito melhor que vida social! Já vi a escritora Maria Adelaide Amaral sair discretamente de um jantar para não perder sua minissérie. Eu faria o mesmo. Durante uma novela, passo boa parte do tempo me indispondo com as pessoas, que tentam me convencer a “dar só uma passadinha”, “gravar e assistir de pois”.

Às vezes me entrego demais à história. Tenho uma característica próxima da loucura absoluta. Se estou escrevendo cenas dramáticas, eu me comporto mais dramaticamente ainda. Sou capaz de me sentir rejeitado porque o garçom esqueceu de botar o saleiro na mesa! Ao contrário, se escrevo humor, faço piada com todo mundo. Pior: se tramo crimes, adquiro um olhar meio torto. Na rua, viro para trás constantemente para ver se alguém me segue!

Às vezes lembro de novelas mais antigas. Sinto saudade de uma personagem como de uma amiga que viajou para outro país. Dá vontade de mandar carta ou e-mail. Outro dia, liguei para o Otaviano Costa, da recém-terminada Caras & Bocas.

— Sinto saudade do seu personagem, Adenor — confessei. — Morria de rir com ele.

— Eu também — suspirou Otaviano. — Vamos fazer o seguinte: a gente sai para jantar, mas eu finjo que sou o Adenor. Convidamos outros atores e cada um vai com seu personagem. A gente cria uma realidade virtual!

Quase topei.

É, dá uma tremenda tristeza. Mas um bichinho já está me mordendo. Quero escrever novamente, seja o que for: livro, peça de teatro, novela, série. Reviver o ciclo de emoções, alegrias e despedidas. E misturar novamente as emoções com os personagens e tramas que sempre vão fazer parte da minha vida!





Onde está Airton Ortiz hoje?

Viagem à Roma, Egito e Israel
Duração: 17 dias
Período: 15 à 31 de janeiro de 2010

26 ─ Terça-feira ─ Luxor

  • 08h00 – Café da manhã
  • 09h00 – Visita ao Vale dos Reis e ao Vale das Rainhas, inclusive à tumba de Tutankamon, onde está sua múmia;
  • 14h00 – Almoço
  • 20h00 – Trem noturno para o Cairo.




Onde está Airton Ortiz hoje?

Viagem à Roma, Egito e Israel
Duração: 17 dias
Período: 15 à 31 de janeiro de 2010

25 – Segunda-feira – Luxor

  • Visita à cidade, às margens do rio Nilo, e ao templo de Luxor




Quando nos tornamos invisíveis

por Dora Lorch

Quem mora em cidades grandes como São Paulo, quem trabalha fora e tem outros afazeres, sabe o quanto a correria do dia-a-dia deixa a desejar. Especialmente nos relacionamentos interpessoais. É difícil encontrar até com pessoas bem próximas, falar no telefone, quanto mais com os estranhos!

Curioso é constatar que há pessoas que encontramos cotidianamente e nada sabemos a seu respeito. Nem seu nome. Pode ser o porteiro, o carteiro, o lixeiro, a atendente da loja, a recepcionista. Com freqüência nos esquecemos até das feições das pessoas que nos cercam. Será falta de tempo ou essas pessoas são invisíveis?

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Onde está Airton Ortiz hoje?

Viagem à Roma, Egito e Israel
Duração: 17 dias
Período: 15 à 31 de janeiro de 2010

24 – Domingo

  • 10h00 ─ Viagem de trem para Luxor (Antiga Tebas);
  • 12h00 – Almoço
  • 14h00 – Visita ao templo de Karnak




Onde está Airton Ortiz hoje?

Viagem à Roma, Egito e Israel
Duração: 17 dias
Período: 15 à 31 de janeiro de 2010

23 – Sábado

  • Viagem de van para Abu Simbel, manhã visitando os templos e volta para Assuã, onde visitaremos alguns museus.




As perguntas que não são feitas

por Henrique Schneider

No corredor empoeirado dos romances, Eugênio folheava sem maior interesse um livro usado, quando assustou-se de repente: entre as páginas de um volume, sabe-se lá como esquecida, estava a fotografia de sua mulher. Olhou novamente, para confirmar, e o susto se repetiu: era mesmo Giovana quem, olhar perdido de quem não sabe, aparecia naquele retrato, atravessando uma rua movimentada e vestindo o casaco amarelo que ele mesmo lhe presenteara. O que é isso, pensou, o que a foto de minha mulher faz aqui?

Perguntou ao livreiro se ele recordava quem lhe havia vendido o exemplar, mas o homem não sabia: tantos os livros que chegavam.

Eugênio então comprou o volume, fotografia no meio das mesmas páginas em que a encontrara, e tomou angustiado o caminho de casa, decidido a esperar por Giovana e esclarecer a situação.

Mas Giovana não soube explicar nada.

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Onde está Airton Ortiz hoje?

Viagem à Roma, Egito e Israel
Duração: 17 dias
Período: 15 à 31 de janeiro de 2010

22 – Sexta-feira – Assuã

  • 08h30 – Chegada em Assuã. Passaremos o dia em Assuã, visitando diversos lugares interessantes às margens do rio Nilo, inclusive passeando de faluca (veleiro típico) pelo rio.




As lições de “A cartomante”

por David Oscar Vaz
Le Monde Diplomatique 19/12/2008

Machado de Assis, antes de tudo artista, é um grande fazedor de tramas, que embaralha maliciosamente as cartas e o leitor

O enredo que se desenrola no conto “A cartomante”, de Machado de Assis, é a velha e sempre renovada história do triângulo amoroso. O que a particulariza? Ambiente, época e alguns toques românticos e dramáticos da trama: o amante é amigo de infância do marido traído; os amantes são criaturas apaixonadas e ingênuas, com vagas preocupações quanto ao futuro. O sentimento, as dúvidas e os pressentimentos evocam crendices vivas ou adormecidas no par amoroso; apimente o mistério com a presença de uma leitora-fiandeira do destino, a cartomante. Organize a trama de maneira que a apresentação dos episódios e dos fatos crie uma ordem temporal própria, econômica e tensa, acrescentem-se algumas pitadas de humor – e teremos um grande conto machadiano.

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Onde está Airton Ortiz hoje?

Viagem à Roma, Egito e Israel
Duração: 17 dias
Período: 15 à 31 de janeiro de 2010

21 – Quinta-feira – Cairo e viagem para Assuã

  • 08h00 – Café;
  • 08h30 – Saída para visitar as Mesquitas e ao Mercado (almoço no Mercado);
  • 19h40 – Saída do Cairo, de trem, para Assuã;




O que fazer para ser aceito?

por Dora Lorch

Quando André chegou, todos notaram: era um adolescente negro muito bonito, tímido, porém, quando sorria dava para perceber seu charme. Ele fora encaminhado porque estava muito agitado na sala de aula, não conseguia prestar atenção e, portanto, não sabia ler e escrever, nem fazer contas. O diagnóstico médico dizia que ele tinha “retardo mental leve”.

— Você sabe escrever meu nome? – Perguntei e sugeri Dora, considerando que seria um exemplo fácil.

— Não. Eu só gosto de escrever sobre assuntos étnicos.

Estava decidido: não havia retardo mental. O que será que o impedia de aprender?

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