Ele entrou na farmácia com um jeito tão urgente quanto perdido, parecendo não saber bem o que queria mas querendo assim mesmo.
“Eu preciso de um remédio prá dor.” – pediu ele à atendente.
A mulher, uma jovem morena de olhos vivos e negros, talvez não tenha entendido aquela pergunta genérica.
“Prá dor, o senhor disse?”
“Isso.” – e ele tinha a expressão angustiada de quem estava mesmo sofrendo.
“E onde o senhor está com dor?”
Ele apontou o próprio peito, direto no coração.
História, Ciências e Atualidade
Mary Del Priore
Casa do Saber Rio de Janeiro
O que é amor? Sentimento imutável ao longo da História ou manifestação vinculada ao seu tempo? As pessoas namoram e se beijam hoje da mesma forma que faziam no período colonial? O curso percorre a história das ideias, das práticas e dos modos de dizer o amor no Brasil. Da rígida família patriarcal até a “desordem amorosa”, propiciada pela pílula e pela revolução feminista, do amor-paixão ao amor que leva ao casamento, do flerte à paquera. Tudo para quem quer entender – e viver –o afeto mais cantado da História.
Início: 03 MAR
Duração: 4 encontros
Dias/horários: Quartas-Feiras, às 20h (03/03, 10/03, 17/03, 24/03)
Valor: R$ 160,00 na inscrição + 1 parcela de R$ 200,00
Tel.: (21) 2227-2237 / 222-SABER
Horário de funcionamento: segunda a sexta: 11h às 20h
E-mail:inforio@casadosaber.com.br
Notas acerca do livro de contos a URNA, de David Oscar Vaz
temas: Literanário – Ensaio
Paulo José Miranda
Março de 2006
“A CASA”
“A Casa” acaba connosco. Acaba connosco a recolhermo-nos ao cérebro e a perguntar: é verdade ou não? E, com esta pergunta, voltamos atrás no canto, atrás no texto. Talvez seja esta a mestria dos grandes contistas: a capacidade de nos fazer voltar atrás, sempre para trás. Voltar atrás, perguntar se é verdade ou não, aqui, não é do foro dos factos, nem tão pouco ontológico. Voltamos atrás e perguntamos pela veracidade estética do conto. Independentemente da sua veracidade ontológica. A factual é que não é sequer p’r’aqui chamada. Verdade factual interessa tanto ao conto como a água interessa ao vinho. Conto bom, dá à ré! Tão contrário ao romance, com a sua seta afiada em direcção ao futuro do tempo! Ainda que continuemos o romance, depois dele acabar, não voltamos atrás, pelo contrário, vamos para a frente. No fim de um romance, o que ficou para trás não causa perplexidade. No fim do conto, é o que já lemos que causa perplexidade, isto é, o que lemos e que agora se nos é revelado como “se calhar não lemos”. Este conto, de David Óscar Vaz, de apenas meia dúzia de páginas, mostra de um modo extraordinário a peculiar arte do conto. Independentemente do seu conteúdo, excelente, de resto, é na sua formalidade que encontro a razão que me faz começar por ele, nesta curta apresentação deste livro.
Quanto vale a palavra de uma mãe?
por Dora Lorch
Estamos acostumados a lidar com as pessoas através de rótulos, através das aparências. Ainda mais nas grandes cidades brasileiras, onde o número de trombadinhas assusta. Sabemos que por vezes eles são os laranjas, os que levam a culpa, os que podem fazer e acontecer porque “não vão cumprir pena por serem ‘de menor’”.
Conceitos assim e o medo estão transformando crianças pequenas em bandidos poderosos, permitindo que todas as fantasias possam ser realizadas através de ameaças, que acreditamos que eles vão cumprir. Claro que sempre podemos lembrar que estas crianças aprendem isso em algum lugar, mas quantos pais reconhecem seus defeitos nos filhos? Quantos de nós pais, tios, professores sabem que o que dizemos pode marcar para sempre a vida daqueles que nos circundam?
Um livro que pode converter você em homem de novo
Luís Antônio Giron
Mente Aberta de ÉPOCA
Deus está morto? Uma dos movimentos intelectuais mais detestáveis da atualidade é o dos pregadores ateus. Eles já responderam à pergunta que acabo de fazer, sem dar tempo ao tempo ou ao esquecimento. Dizem que sim. Pensadores como Richard Dawkins e jornalistas como Christopher Hitchens se acham no direito de interpelar seus leitores e seu público de palestras para questionar a validade da fé alheia. Há três anos, eles passaram a adotar a postura agressiva ao preconizar que os creacionistas são ridículos, que Deus não existe e a religião é o ópio do povo. É uma opinião a ser respeitada. Mas o modo como esses pensadores atuam no eterno debate sobre a fé soa prepotente. Os ativistas sem-Deus desprezam interlocutores. Ostentam sua superioridade intelectual e acadêmica para intimidar aqueles que são tementes a Deus. No fundo, o que esses professores enfurecidos anseiam é tomar o lugar da divindade e se tornar deuses da Religião da Ciência. Querem assassinar Deus e virar… deuses.
por Walcyr Carrasco
Veja São Paulo | 24/02/2010
Minhas aulas de ioga são acompanhadas por dois alunos: eu e meu gato Merlin. Basta Guilherme, meu atual professor, entrar no elevador no térreo para Merlin esticar o rabo e arquear o dorso. Sobe as escadas e é o primeiro a estender-se no tapetinho, ronronando. Tento realizar as posturas: giro a cabeça, estico uma perna, estendo o braço, me contorço. E gemo! Merlin inventa suas próprias posições. Deita de barriga para cima, ergue as patinhas, torce o corpo. Dá um show. Como diz o professor, “gatos já nascem mestres de ioga”, mas normalmente Merlin é muito arisco. Não faz charme para vi sitas nem deixa ninguém pegá-lo. É como se Merlin quisesse compartilhar da harmonia que a ioga me proporciona. Mesmo quando medito sozinho em minha poltrona, ele se aproxima e fica se entrelaçando às minhas pernas. É um adepto do alto astral! Shiva, minha gata, tem comportamento semelhante, mas em situações opostas. Passa os dias dormindo. Não é muito “dada”, como costumam dizer. Basta eu me refugiar no quarto chateado ou um pouco deprimido que ela aparece, solidária. Deita-se o mais próximo possível e me encara com seus olhos verdes, como se dissesse: “Estou tomando conta de você!”. Fica todo o tempo perto de mim, até eu me sentir melhor. Nenhuma palavra precisa ser dita. Ela sabe quando é hora de me fazer companhia.
por Henrique Schneider
Luciana atendeu e sua voz era um sorriso claro ao telefone. O coração de Éderson pareceu pulsar em dobro quando ela disse que estava pensando em ligar, mais ainda quando a garota respondeu que também queria vê-lo novamente, mais ainda quando aceitou o convite para saírem naquela semana. Na fala de Luciana, Éderson soube que ela também passara o tempo pensando nele. E quando pode ser, perguntou ele, pronto para adequar sua agenda a qualquer resposta.
“Só não dá para ser na quarta, por causa do jogo do Inter.” – respondeu ela. – “É que jogo do Inter eu não posso perder. Não quer ir comigo?” – ela perguntou.
“Não dá.” – ele riu. – “É que eu sou gremista.”
Do outro lado da linha, houve um silêncio estranho. Depois ela disse, gelo em sua voz:
“Ah, gremista. Pois é…” – e ficou novamente em silêncio, talvez procurando o que dizer. Algo que não fosse muito indelicado.
E naquela hora Éderson soube que havia perdido a mulher da sua vida.
Bilhetes, uma marca de elegância!
Hoje temos todo tipo de tecnologia literalmente a mão para nos comunicarmos permanentemente: celular, fax ou e-mail. Mas nada me tira da cabeça que um cartão pessoal, escrito à mão é, além de mais simpático, infinitamente mais íntimo e elegante.
Um cartão simples em papel branco ou creme é o mais correto. Se quiser ter um jogo com seu nome impresso no centro, basta nome e sobrenome. O máximo que você pode fazer é usar um cartão duplo em formato ou pouco maior, de aproximadamente 10 x 6 cms para escrever a mensagem na parte de dentro.
por Dora Lorch
Era uma mulher mulçumana e vinha de véu, xador e tudo o que tinha direito. Num primeiro momento, houve a associação com o Oriente e as histórias das mil e uma noites, mas em seguida, me senti constrangida. Algo ali não estava certo e não tinha a ver com o aspecto religioso. Havia como que uma parede entre minha paciente e eu. Era como se mesmo ali, sozinhas, outros olhos nos observassem.
Depois de algumas sessões percebi que não era o véu de pano que incomodava, mas os inúmeros véus que aquela mulher e tantas outras carregam consigo. Era como se toda a tradição humana pudesse penetrar em seus medos, segredos e anseios. Não que ela quisesse algo tão absurdo: só queria melhorar o relacionamento com o marido.
Ameaça ao livro não é e-reader, mas falta de novos leitores
Ameaça ao livro não é e-reader, mas falta de novos leitores,
diz dono da Livraria Cultura
Fabio Victor
da Folha de S.Paulo | 21/02/2010 – 07h42
Numa viagem recente a Nova York, o dono da Livraria Cultura, Pedro Herz, fez um teste: ao andar de metrô pela cidade, observou quantos passageiros portavam e-readers. Em dez dias, encontrou um único leitor com o novo equipamento.
Herz diz já ter visto burburinho semelhante em outros tempos, avalia que tudo não passa de “uma nuvem” e atribui tanto barulho à sede da indústria eletrônica por escoar os novos produtos que cria em velocidade incontrolável. A ameaça real ao futuro do livro, opina, é ausência de novos leitores entre os jovens.
Apesar do ceticismo quanto à nova coqueluche do mercado, ele informa que em março a Cultura passará a vender 150 mil títulos de e-books em suas lojas.Pedro Herz, dono da Livraria Cultura; em março empresa vai disponibilizar 150 mil títulos para e-readers