Mas é.

por Henrique Schneider

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O pequeno chegou há menos de um mês e nem sabe, ainda, o quanto é forte.

Mas é.

A verdade é que o menino nasceu com uma espécie de bolha de água no pulmão, problema raro e grave que desde o primeiro instante lhe castigara o corpinho de três quilos e que, cedo ou tarde, lhe cortaria o necessário ar pela metade. Não se pode tratar, disseram os médicos, é necessária a cirurgia. Mas cirurgias em recém nascidos nunca são simples, mesmo as simples – e aquela não era.

Os pais tinham pouco o que dizer ante o veredito que, já no início, dividia a vida do seu primeiro filho. Restava chorar um pouco, respirar fundo outro tanto, fingir tanto a ponto de acreditar ser fortaleza, acender velas, olhar para cima, acreditar. E foi o que fizeram, os médicos sabiam o que estavam dizendo.

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“Muito antes na história deste país”

Carlos Antônio Barros de Moura
www.diariodegaurulhos.com.br

D. Pedro II, que conhecemos pelas barbas brancas e jeitão muito sério, tinha um lado bem humano e com muitos desejos, como nos ensina a historiadora Mary Del Priore, em seu livro “Condessa de Barral – A paixão do imperador”.

Por isso, também, tinha que administrar seus “aloprados”. Uma dessas situações aconteceu por volta de 1883, quando jóias da imperatriz e da princesa Isabel desapareceram do Palácio de São Cristóvão. Era uma fortuna, cerca de 400.000$000. Houve muita agitação na corte, com grande repercussão na imprensa. Felizmente, em pouco dias, graças a uma carta anônima, os suspeitos foram presos, o culpado identificado e as jóias recuperadas”.

Eram ajudantes pessoais do imperador, aqueles que fazem serviços não oficiais. D. Pedro II precisou “livrar a cara” do autor e deu a ele anistia. Seu argumento para isso, foi simples e direto “ ele não tinha cometido roubo oficialmente, entendido como subtração e violência. O crime era furto ou subtração sem violência. Se as jóias haviam sido achadas, não existia mais furto nem tampouco ladrão”

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Bolsas Criar Lusofonia 2008/2009

Blogue do Centro Nacional de Cultura
Segunda-feira, 2 de Março de 2009

Bolsas Criar Lusofonia 2008/2009

Hugo Miguel Coelho e David Oscar Vaz vencem Bolsas Criar Lusofonia 2008/2009

Hugo Miguel Coelho – candidato português – com o projecto “Trinta e tal no campo da morte lenta”, a desenvolver entre Cabo-Verde e Portugal e um candidato brasileiro – David Óscar Vaz – com um projecto de romance baseado na emigração portuguesa para o Brasil nos anos 50 do séc. XX, a desenvolver em Portugal, foram os bolseiros seleccionados na área de Criação/Investigação literária, edição 2008/2009 do concurso Criar Lusofonia do Centro Nacional de Cultura, com o apoio da Direcção Geral do Livro e Bibliotecas,.

Os bolseiros receberão a quantia mensal de 1 500 €. O Júri foi constituído por Leonor Xavier, José Carlos Vasconcelos e António Carlos Carvalho. Cristina Grácio representou a DGLB e Guilherme d’Oliveira Martins, o CNC.

Foram considerados concorrentes das seguintes nacionalidades: angolana, brasileira, cabo-verdiana, guineense, moçambicana, portuguesa, são-tomense e timorense. O programa Criar Lusofonia foi criado em 1995 e tem por objectivo a atribuição de bolsas no domínio da escrita para estadas em países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, pretendendo-se criar oportunidades de contacto aprofundado com outros países lusófonos aos criadores/investigadores de língua portuguesa a fim de produzirem uma obra destinada à divulgação no espaço lusófono.





Tem gente que sofre

por Dora Lorch

Tem gente que sofre com razão. Outros, contudo, sofrem porque criam situações em que saem perdendo sempre. Nesses casos, a pessoa que padece pode valorizar a amargura como se fosse uma provação, o que faz com que a dor, por vezes inútil, não cesse nunca.

Pessoas que valorizam o sofrimento pelo sofrimento são difíceis de tratar porque não acreditam que possam viver longe desse sentimento. O pior é que o sofredor mistura questões que não tem escolha com outras que ele poderia evitar. Por isso, insiste que não consegue se livrar da “cruz” que carrega.

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Amigos de infância

por Henrique Schneider

O homem apontou-lhe a arma na esquina deserta, e em sua ordem não havia espaço a concessões:

“É um assalto! Passa logo a grana!”

Ele pareceu conhecer aquela voz. Olhou o ladrão, em meio ao tremor, e o espanto foi maior que o medo:

“Mas se não é o Meleca!…”

O ladrão também se surpreendeu ao escutar seu apelido de infância e desarmou-se por um instante, suficiente para reconhecer o assaltado.

“Geraldo! E aí, rapaz, como é que vai?”

“Não muito bem. Estou sendo assaltado neste instante.”

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Aprendendo a aprender

por Dora Lorch

Aprender a ler, especialmente nas escolas públicas, nem sempre é fácil. Tenho recebido muitas crianças de 10anos ou mais que não aprenderam ainda. Será que o problema é da escola? Do professor? Ou do aluno?

Lembro de um menino adolescente que não sabia ler, nem escrever. Usando uma técnica premiada[1] pedi para ele escrever o nome do sabão em pó que a mãe usava. Para minha surpresa, ele escreveu num pedaço de papel: “Omo multiação”. Perguntei:

— Mas não era você que não sabia escrever? Então, escreva a marca de biscoito que sua mãe costuma comprar?

Ele pensou um pouco, escreveu “maisena” e me perguntou:

— Com leite ou sem leite?

Respondi:

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Caminhos cruzados

por Henrique Schneider

Hoje eu acordei de bem com o mundo.

Não tem muita explicação. Sabe aquelas manhãs em que a gente acorda, nem bem abre os olhos e já sabe que as coisas vão dar certo? Tudo certo? Aqueles dias em que a gente sente um negócio diferente dentro do peito, vontade de agradecer nem se sabe bem o quê, mas agradecer de qualquer jeito? Aquelas vezes em que a gente acorda e parece que ao redor a vida é algo cada vez melhor? Pois é, hoje.

Não gosto nem de comentar muito isso, mas às vezes me acontece: acordar e saber que tudo vai dar certo. Acho que é uma história de pensar no bem, essas firulas todas, uma história meio de olhar o mundo com uns olhos bons, sabe como é? E nem pense que é frescura, é só uma coisa que me acontece às vezes. Acontece com todo mundo, na verdade – ou vai me dizer que não é assim prá todos, tem dias que a gente acorda e dá vontade de abraçar os outros, agradecer a vida boa que a gente leva?

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Os livros ainda são só para serem lidos?

BRAVO ON LINE
Literatura
Janeiro/2008
Por Almir de Freitas

”Contos de Agora”, uma coletânea de textos de escritores brasileiros contemporâneos, revela as limitações e as potencialidades dos audiolivros. Será que essa moda pega?

Há coisa de 20 anos, o jornalista Paulo Francis, conhecido por sua rabugice, qualificou os audiolivros como o sinal da entropia da civilização. Naqueles anos de walkmans, cuja disseminação estava longe da dos iPods, o catálogo disponível parecia confirmar. Era um mercado tomado por best-sellers e títulos de autoajuda, com alguma ou outra incursão nos clássicos recitados de maneira solene. No Brasil, nunca pegou de verdade, como se a “verdadeira” literatura fosse incompatível com o formato.

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Antes da bonança, tem a tempestade

por Dora Lorch

Uma pessoa bem educada é aquela que sabe respeitar os limites. Que sabe se colocar no lugar do outro, tem sensibilidade e não constrange o próximo. Educação e ética estão interligadas. Ser educado e ter ética, contudo, demandam esforço, tempo e nem sempre é cômodo.

Para quem educa, esse esforço representa orientar sobre o princípio de que sua liberdade acaba onde começa a liberdade do outro. Essa é uma tarefa árdua, um exercício de perseverança e firmeza. Implica também ensinar a respeitar os limites dos pais, dos avós, dos professores. Explicar que pai e mãe se cansam, que não podem tudo e que precisam ser poupados. E é preciso saber que crianças e adolescentes vão tentar testar até que ponto precisam mesmo respeitar os adultos.

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Madonna chega ao Palácio dos Bandeirantes

Matarazzo e Madonna
Foto: Ciete Silvério

Recebida pela chefe de cerimonial do Governo de São Paulo,
Cláudia Matarazzo.





A guerra das farmácias

por Henrique Schneider

As duas farmácias, uma ao lado da outra, naquela mesmice e disputa de esperar os doentes entrarem, até que o gerente de uma delas teve a idéia para derrubar a concorrência; colocou, em frente ao estabelecimento, um propagandista. Alguém que chamasse os transeuntes e propagasse as grandes vantagens, preços e condições nos remédios que lá eram vendidos.

Mas a farmácia ao lado resolveu que não era possível ficar para trás. Então também colocou em frente à sua porta um propagandista, com um megafone. Os chamados do homem alcançavam a outra quadra, e mesmo quem não tivesse qualquer interesse ficava informado dos preços maravilhosos daqueles remédios.

A primeira farmácia achou que era necessário devolver à altura. Colocou não apenas um, mas dois propagandistas, ambos vestidos de palhaços e empunhando microfones sem fio, de alta potência e alcance. Sabe-se lá o que palhaços têm a ver com farmácias, mas o fato é que aquela dupla chamava a atenção de toda a vizinhança, com seus gritos desafinados e palhaçadas sem graça.

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