Quando a voz da ABC 900 confirmou a vitória, ele e o amigo se abraçaram forte, risos e lágrimas, e não precisaram dizer nada para saber que, na alegria daquele instante, ambos pensavam a mesma coisa: valera a pena todo aquele tempo, meu Deus, a luta toda, toda aquela espera. Os anos passados ganhavam cor, de repente. Eles se abraçaram ainda outra vez, e em seus olhos marejados se confundiam as imagens do presente e do passado: o mar de bandeiras e cartazes coloridos, as risadas ainda incrédulas, os amigos cuja presença se dava (e se dará sempre) pela memória, as derrotas redimidas, os choros pelo pouco que faltou, os abraços repetidos, as discussões apaixonando noite adentro, a música explodindo de alegria em cima do caminhão, os que chegaram depois e os que se separaram pelo caminho, as tantas e tantas caminhadas pelas ruas e pelas vilas, asfalto e terra batida, falando e ouvindo, pulando os esgotos pisados de crianças, aceitando o café generoso que alguém oferecia numa xícara de alça lascada ou fugindo de algum cachorro menos humorado, os passos todos construindo esta caminhada que terminava agora.
Crime e Castigo – A Peça de Teatro
por David Oscar Vaz
Bestiário
ano 1 número 10 – dezembro de 2004
Afirmavam já os italianos que a tradução poética de uma língua para outra seria sempre uma inevitável traição: traduttore – traditore, diziam. E é sob essa fatalidade que se dá também um outro tipo de tradução, a que ocorre quando transpomos uma obra de um certo gênero para outro. Essa ressalva cabe bem nesse início de texto em que me proponho a dizer algumas coisas a respeito da “adaptação” para o teatro do romance Crime e Castigo de Dostoievski. Completando a ressalva, devo acrescentar que quem se propõe a essa tarefa deve ter em conta que muito se pode ousar: pode-se cortar, pode-se criar, pode-se reinventar cenas e diálogos, só não se pode, ao se cometer tão fascinante traição, trair o espírito da obra que se deseja transpor ao palco. A companhia Teatroendoscopia soube muito bem, ao meu ver, escapar desse risco e deu ao público um belo trabalho.
por Dora Lorch
Costumo pedir para as crianças que atendemos no projeto Florescer da Fábrica que desenhem suas famílias para que possamos perceber situações que elas normalmente não demonstram, já que no desenho estão representadas as relações familiares da criança.
Mas nem sempre conseguimos entender de imediato o que elas mostram nos desenhos. Foi exatamente isso o que aconteceu com Samuel. Todos os dias, durante meses, ele desenhava a traseira de um carro. E por mais que tentássemos interpretar os seus desenhos, ele não aceitava a nossa conclusão.
Morreu há pouco o seu companheiro de mais de cinqüenta anos. Cinqüenta anos não são cinqüenta dias: são um tempo incontável. Uma vida inteira juntos.
Neste meio século, nesta existência toda, ela pode contar nos dedos das mãos as noites em que dormiram separados: o colchão, hoje, tem o formato de ambos, guarda os contornos e o peso dos corpinhos que foram mirrando ao passar dos anos, envelhecendo sem dar-se conta, e que dormiam, no mais das vezes, de mãos dadas. O costume antigo de dormir com os dedos entrelaçados, comentavam os amigos mais novos, entre despeitados e respeitosos – e eles apenas sorriam, pra que dizer algo?
Cinqüenta anos.
Hoje: Henrique Schneider no ‘Ponto e Contraponto’
Henrique Schneider é o novo debatedor do ‘Ponto e Contraponto’
Escritor hamburguense agora é um dos integrantes do programa da rádio ABC 900
A literatura do escritor Henrique Schneider agora pode também ser ouvida semanalmente nas ondas do rádio. Desde o início de março, o escritor hamburguense é um dos debatedores do Ponto e Contraponto, da emissora ABC 900. Compõe a mesa às quartas-feiras. O programa vai ao ar todas as manhãs na estação 900 AM, entre 8h10min e 9h10min, e é possível também ouvi-lo na Internet.
por Dora Lorch
Assisti ontem a um programa de televisão, onde uma criança desobedecia consistentemente à mãe. Tinha aproximadamente três anos de idade e uma agenda cheia de compromissos, assim como a de um adulto. Além da escola, fazia outras atividades, como judô, natação, inglês e informática. Com tudo isso, não tinha tempo para ser criança e simplesmente brincar, sem que alguém lhe dissesse o que deveria fazer.
Além do cansaço, não ter espaço para brincar é uma questão muito séria, porque é justamente a partir da brincadeira que as crianças tentam compreender o mundo dos adutos. Por isso, brincam com situações que elas não conseguem entender. E se não podem brincar, como fazer para digerir tantas informações novas e estranhas?
Olhando a história pelo buraco da fechadura
Mary Del Priore
Sempre um Papo
26/04, segunda-feira, às 19h30
Local: UniAraxá
A historiadora Mary Del Priore faz palestra sobre o tema: “Olhando a História pelo Buraco da Fechadura: Grandes Personagens”. Mary é autora de mais de vinte livros sobre a História do Brasil, entre eles “A Condessa de Barral”, “História das Mulheres no Brasil” e “História da Vida Privada”. Historiadora com pós-doutorado na França e sócio-honorária do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, foi duas vezes vencedora do Prêmio “Casa Grande & Senzala”. Seu trabalho “O Príncipe Maldito” levou o prêmio de melhor livro de não-ficção da Associação Paulista de Críticos de Arte.
FestiPoa 2010 movimenta literatura gaúcha na capital
Henrique Schneider é uma das atrações do evento que reúne escritores em Porto Alegre entre 20 e 25 de abril.
Debates, leituras, lançamentos, performances, exposições, saraus, shows, teatro e cinema. Toda essa efervescência cultural tem endereço a partir desta terça-feira, 20 de abril: Portal Alegre – RS, Brasil. É a FestiPoa 2010 . A festa literária da Capital gaúcha.
Conheça a página oficial da FestiPoa Literária
Confira a Programação completa
Até o próximo domingo, 26, a cidade será tomada por amantes da literatura que reúnem dezenas de escritores gaúchos e também de outros estados com o propósito de festejar as palavras. O autor homenageado esse ano é o ficcionista e tradutor Sergio Faraco, que estará na abertura oficial. Ele conversa com Cíntia Moscovich e Jacob Klintowitz, a partir das 17 horas desta terça-feira, na Palavraria (Rua Vasco Gama, 165).
Organização – A FestiPoa Literária nasceu da parceria do jornal Vaia com as livrarias Letras & Cia e Palavraria. O idealizador é o editor da publicação cultural, Fernando Ramos, sobre quem o escritor Henrique Schneider tece elogios. “Essa é uma idéia sensacional que só saiu do papel pela vontade de ver a literatura crescer de pessoas como o Fernando.”
Contos da Vida Breve
Uma das atrações da FestiPoa 2010 é a sessão de leituras dos Contos da Vida Breve. Henrique Schneider lê e interpreta ao vivo alguns de seus contos a partir das 18 horas de sexta-feira, 23, no Espaço Cultural Casa dos Bancários (Rua General Câmara, 424).
O policial rodoviário não conseguiu evitar a surpresa quando abordou o carro. Dentro do automóvel, ar beatífico de quem pouco teme, as quatro freiras sorriam para ele.
‘Bom dia, seu guarda!” – cumprimentaram todas, quase em uníssono. – “Algum problema?”
“Não, irmãs. Só rotina.” – ele respondeu, enquanto elas caíam na gargalhada. Tanta a risada que foi a vez do policial perguntar, um pouco desconfiado, se havia algum problema.

