Sete de março

por Henrique Schneider

Quando entraram na casa, chamados por vizinhos que haviam ouvido os gritos, os dois policiais mal conseguiram conter a revolta: a mulher estava encolhida na cama, ensanguentada como se recém houvesse saído do parto, o olho esquerdo mal fechado no meio de um inchaço vermelho, marcas de pauladas trilhando com crueldade os dois braços. Ela chorava como se não quisesse ocupar espaço, num pequeno ganido, voz miúda e sem esperança – as lágrimas secas há tanto.

Enquanto um policial acudia a mulher, o outro dava um vistaço às três pecinhas da casa, apenas para certificar-se que o marido não estava por ali. Mas não havia nada a reparar; apenas uns moveisinhos de caridade, latas em cima do fogão, roupas mal atiradas, uns esquecimentos pobres. O homem não estava. O vizinho que havia telefonado também aproveitara para dizer que ele sumira enquanto a mulher ainda gritava e que as surras eram comuns. E que talvez seria uma boa idéia procurarem o homem no bar.

“Eu já tou bem.” – disse a mulher. – “Vocês me deixem aqui.”

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Abusos

por Dora Lorch

Diante do significativo aumento de ocorrências de casos de abuso, cada vez mais freqüentes na mídia e na vida das pessoas, considero prudente debater e orientar para combater esse mal. Nesse artigo e nas próximas semanas, tratarei do tema nesse espaço para promover a defesa da mulher e da infância.

Infelizmente, situações de agressividade entre casais não são raros. A quantidade de casos de morte de mulheres por parceiros então é maior ainda. É tão grande que nos Estados Unidos já existe uma palavra para esse tipo de crime: “femicídio”, ou seja, assassinato de fêmeas.

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Walldisney II

por Henrique Schneider

“Prezado escritor:

Acompanho semanalmente os textos que você publica no jornal. Há alguns que são bons, outros nem tanto; um ou outro, convenhamos, é francamente ruim. Em todos, entretanto – e isso é um mérito -, lê-se a presença de uma espécie de respeito democrático, da tentativa sempre necessária de não ser preconceituoso.

No entanto, em seu mais recente texto – denominado ´Waldisney´ -, publicado em 21 de fevereiro, acho que você ultrapassou as barreiras da ética e demonstrou um enorme preconceito, além de profunda insensibilidade. O conto (ou será crônica?) em que o empregador se chama Waldisney (com `’w” e “y”) e não dá chance a um candidato a emprego apenas porque este não riu do nome do próprio futuro (?) chefe, é de uma obtusidade como poucas vezes li em minha vida. Um texto de poucas luzes. Mais que isso: nenhuma luz.

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Histórias íntimas — Da Colônia ao Império: o corpo, a Igreja e o pecado

Palestra ministrada por Mary Del Priore
Casa do Saber — 01/06 às 19:30h

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Recentemente, um novo olhar sobre a sociedade brasileira através dos tempos começou a surgir. O que faziam as personagens históricas quando voltavam para casa? Como eram a intimidade, as concepções sobre o corpo, a educação das pulsões e desejos, o modo de pensar a beleza e a feiura? Tudo pode ser discutido a partir de fatos não relatados nos livros tradicionais.

“Da Colônia ao Império” é a primeira das quatro palestras do curso “Histórias íntimas”, da historiadora Mary Del Priore, que acontece nos dias 23 e 30 de setembro e 7 e 14 de outubro na Casa do Saber.

Imagem: Missa de Nossa Senhora da Candelaria em Pernambuco, Johann Moritz Rugendas (1802-1858).





Histórias Íntimas: Privacidade na História do Brasil

Curso ministrado por Mary Del Priore
Casa do Saber 01/06, 08/06, 15/06 e 22/06

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Muitas histórias foram escritas sobre a economia e a política do Brasil. Mas só recentemente uma visão inteiramente nova da sociedade começou a surgir. Trata-se da intimidade, das concepções sobre o corpo, da educação das pulsões e desejos, das maneiras de pensar a beleza e a feiura. O curso apresenta e discute o Brasil a partir de fatos não relatados nos livros tradicionais.





Educação, violência e família – parte 4

por Dora Lorch

O texto a seguir foi apresentado durante uma palestra da psicóloga Dora Lorch no 12º EDUCAIDS, um encontro de educadores para a prevenção das DST / AIDS e das drogas, ocorrido na cidade de São Paulo entre os últimos dias 1 e 4. O artigo será dividido em partes e publicado ao longo das próximas semanas. Hoje, aborda as causas e conseqüencias da indisciplina.

f) Indisciplinas de modo geral

A falta de limites pode ter muitas razões, como as já citadas e outras. Entretanto, a mais comum é o stress. Isso mesmo, cansaço. Quando não existe castigo, punição, carinho ou explicação que faça a criança / adolescente parar, podemos estar frente a um caso de fadiga que nem a própria pessoa se dá conta.




Walldisney

por Henrique Schneider

“Bom dia. Então você é o novo assistente que o pessoal do RH me mandou para entrevistar? Pois bem, se você for aprovado, eu vou ser o seu chefe.” – e, estendendo a mão ao candidato – “Prazer, Waldisney. Com ´w´ e ´y´ no final.”

“Prazer, seu Waldisney.”

Os dois mantiveram um silêncio de alguns segundos, em suspenso, até que Waldisney resolveu questionar.

“E então? Não vai rir? Perguntar por quê?”

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Educação, violência e família – parte 3

por Dora Lorch

O texto a seguir foi apresentado durante uma palestra da psicóloga Dora Lorch no 12º EDUCAIDS, um encontro de educadores para a prevenção das DST / AIDS e das drogas, ocorrido na cidade de São Paulo entre os últimos dias 1 e 4. O artigo será dividido em partes e publicado ao longo das próximas semanas. Hoje, aponta os motivos que podem estar por trás da tristeza de crianças e adolescentes.

d) Tristeza/ Acuamento

Poucos são os professores que acham que alunos quietos podem ter problema. Normalmente, ficam aliviados por terem alguns “santos” que não lhes exigem atenção. Ocorre que crianças quietas podem estar sofrendo por questões delas ou por não conseguirem se relacionar com as outras crianças.

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Amor de carnaval

por Henrique Schneider

Eles haviam se conhecido no carnaval do ano passado, em Capão da Canoa, e pularam juntos todas as noites – ela em suas fantasias de odalisca e bailarina; ele, em seus arrevesados trajes de pirata improvisado. Ao final da folia, apaixonados, mal continham as lágrimas de uma saudade que já se avizinhava, porque sabiam que a distância deixaria impossível continuarem juntos: ele morava em Igrejinha e ela, em Uruguaiana.

Foi ela quem propôs: que ficassem livres o ano inteiro, que não se correspondessem para não aumentar a saudade, que não soubessem um do outro nos próximos meses – mas que se encontrassem neste mesmo lugar, às onze e meia em ponto, na primeira noite do carnaval seguinte. Ele quis protestar – ao menos, trocassem correspondência de vez em quando –, mas ela estava firme:

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Educação, violência e família – parte 2

por Dora Lorch

O texto a seguir foi apresentado durante uma palestra da psicóloga Dora Lorch no 12º EDUCAIDS, um encontro de educadores para a prevenção das DST / AIDS e das drogas, ocorrido na cidade de São Paulo entre os últimos dias 1 e 4. O artigo será dividido em quatro partes e publicado ao longo das próximas semanas. Hoje, fala sobre as diversas causas da hiperatividade e da dificuldade de aprendizado.

b) Hiperatividade

Já ouvi falar de hiperatividade, mas nos dois anos em que estamos atendendo crianças hiperativas, ainda não conheci nenhum caso neurologicamente determinante.

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Pechinche com classe

por Claudia Matarazzo

Muita gente acha que chorar no preço é feio e, por conta de uma certa vergonha de regatear, acaba pagando mais caro do que poderia por algo que muitas vezes poderia sair significativamente mais barato, se apenas ela tivesse tido paciência e jogo de cintura para fazer algo que, na antiguidade, consistia em uma das mais elementares formas de comunicação: pechinchar.

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