Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais
por Dora Lorch
Tem alguns comportamentos que “herdamos” de nossos pais, de repente nos pegamos fazendo a mesma coisa que nossas mães faziam, ou falando coisas que nos remetem à infância. Quantas vezes você não disse frases inteiras que finalmente fazem sentido (“esqueceu que você tem casa?”; “meu consolo é que um dia você vai ter filhos.”; “quer me matar de desgosto!” “ Faço porque eu te amo”…). Quantas vezes nós não nos pegamos agindo igualzinho aos nossos avós ou pais?
Sem dúvidas que a educação que nós passamos para nossos filhos tem como base a educação que recebemos, algumas atitudes queremos repetir, outras vezes queremos fazer exatamente o contrário.
Tudo em equilíbrio, ele pensa, como gostaria mesmo que ficasse. A mulher no primeiro plano, vista apenas do busto para cima, as mãos cruzadas protegendo a vida, ocupando o espaço com a certeza de saber-se bela, enquanto o fundo é uma paisagem distante e esfumaçada, na qual os rios, a ponte, a curva sem destino da estrada, as montanhas, o céu são tão reais quanto qualquer sonho. Sfumato, pensa ele. A vista difusa ao fundo cumpre o seu papel de bem sustentar a luminosidade sadia da jovem que se eterniza agora. Às mãos da mulher ele emprestou o formato arredondado das bem nascidas e é com certa decisão tranquila que ela amarrota um pouco a manga comprida de seu vestido, certa de que este gesto só lhe emprestará mais vida. leia mais »
Como se vingar do vizinho da TV aberta e gritar gol antes dos outros
As pessoas cada vez mais veem os jogos em suas casas em televisores de plasma e alta definição, em canais por assinatura. Isso me leva a uma constatação: quanto mais evoluída a tecnologia, mas atrasado o torcedor está. Quem usa a internet, quase sempre ouve o desagradável grito de gol ou de decepção vindo antes do vizinho. O assinante de cabo ou satélite grita depois do usuário dos canais convencionais. Aquele que não assina canal nenhum nem usa internet tem o privilégio de captar os lances com antecedência. Os mais retrógrados, entre os quais me incluo, conseguem ouvir tudo com muito mais vantagem. Durante a Copa do Mundo, tenho me destacado da torcida porque, desde menino, mantenho o hábito de ouvir os jogos pelo rádio, muitas vezes em frente a uma televisão muda. Mesmo em meio à multidão com o telão a todo volume, ponho fones de ouvido para ouvir meu radinho de pilha. Ele está com 38 anos, passou por várias copas frustrantes, superou-se e não só funciona bem, como é uma ferramenta de sucesso pessoal. Recomendo que os leitores e internautas façam o mesmo. Eles encontrarão a vitória (ou a derrota) antes de todas as outras pessoas.
Por que a corneta sul-africana nada acrescenta ao futebol – e muito menos à cultura
O ser humano é um animal nominalista. De um instante para cá, a corneta foi rebatizada pelo nome africano de vuvuzela. E todo mundo se entusiasma e só fala disso como se fosse uma novidade absoluta – ou, como dizem os franceses, o “dernier cri”. O brasileiro acha engraçado porque o venerável cornetão, que frequenta os campos de futebol da América Latina desde o início dos anos 70, foi rebatizado com um nome que soa obsceno. No entanto, em castiço étimo zulu, o termo significa algo como “ruído do vuvu” – sendo “vuvu”, a zoada resultante do sopro violento no bocal do instrumento que mede um metro. Em idioma tswala, é chamado “lepatata”, que, imagino, pode ser traduzido como “patada nos ouvidos dos outros é refresco”.
Os olhos daquele menino brilharam quando o pai o convidou para assistir ao jogo de futebol no sábado. O pai jogava quase todos os finais de semana, nos campinhos espalhados pela cidade, em campeonatinhos de várzea e amistosos, voltando sempre sujo e feliz destas alegres peleias, como que renovado para a semana que ainda nem se iniciara. Claro que vou, pensou o pequeno – pais são tanto mais heróis quando convidam seus filhos para as aventuras.
Os sete casais eram amigos há anos, e também há anos se reuniam seguidamente para celebrar esta amizade. Jantares, cafés, viagens, passeios, às vezes nem isso – era só se encontrarem e tudo bem.
Noite dessas, no meio de uma paella valenciana na casa do Cláudio e da Rosane, aberta já a décima garrafa de vinho, o Zé Mario propôs que brincassem de contar com quem da turma gostariam de ter casado, se não estivessem cada um com seus respectivos maridos e mulheres. O pessoal, mesmo no meio do vinho, ficou meio reticente – brincadeiras desse tipo sempre podem dar problema. Inclusive a Adri, esposa do Zé Mario, que deu-lhe um mal-disfarçado cutucão na barriga. Mas o Zé Mario insistiu:




