A história do ponto de vista da fumaça

Todos objetos produzidos pelas sociedades humanas são “documentos”, ou seja, testemunhos do passado ou do presente. Cabe, porém, ao pesquisador descobrir a potencialidade dessas fontes. Uma deles, ainda pouco explorada, diz respeito aos rótulos das marcas de cigarros.  Em relação a esse tipo de fonte, o site da Fundação Joaquim Nabuco disponibilizou a “Coleção Brito Alves”, composta por 1.252 rótulos de cigarros, produzidos através de técnica litográfica e referentes a fins do século XIX e início do seguinte. Trata-se de riquíssimo material que revela a importação em massa de modas culturais durante nossa Belle Époque. As marcas da indústria tabagista refletiram a europeização dos costumes, então em voga. Havia cigarros que divulgavam o requinte musical, como a marca “Ópera”; outros difundiam gírias francesas, como Janota (janot, personagem do teatro francês) ou Zuavos (nome dado aos soldados); havia ainda marcas que popularizavam as mais recentes correntes políticas, como os “Cigarros Comunistas”  ou os “Cigarros Democratas”. Por vezes os rótulos também se tornavam uma “mídia” para difusão de hábitos alimentares europeus. Por incrível que pareça alguns de nossos arqui-avós talvez tenha fumado os “Cigarros Rocambolle”. Para saber mais, clique aqui.




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