A Maturidade na visão de Claudia Matarazzo
TweetA Maturidade na visão de Claudia Matarazzo Por Claudia Oliveira
Publicado por Viviany Bonfim em 07/6/2009
Por Claudia Oliveira
Na quinta edição do Só para Mulheres, intitulado como, Encontro Nacional da Mulher Moderna, realizado no período de 29 a 31 de agosto, no Centro de Cultura e Convenções da cidade de Goiânia, estado de Goiás, estiveram presentes mulheres de todas as idades, classes sociais e ramos profissionais para visitação da feira com exposições de variedade de produtos e serviços oferecidos ao mercado feminino.
Paralelamente à feira foram realizados fóruns de palestras que trouxeram várias informações importantes na área da moda, investimentos, medicina, designer de ambientes, bem estar entre outros.
Uma das palestras mais esperadas pelos participantes do evento foi a da Jornalista e especialista em Etiqueta Social e profissional Claudia Matarazzo. A platéia composta por um grande número de mulheres ávidas em saber ou atualizar suas regras de etiqueta social e profissional a aguardavam demonstrando certa ansiedade. No momento da tão esperada apresentação parece ter pairado um ar de indignação. Claudia Matarazzo por alguns segundos causou “estranhamento” em algumas pessoas. Isso ocorreu devido a duas situações, a primeira foi à forma de como se vestia e a segunda, foi o tema a ser abordado. Sua estampa ocasionou comentários na platéia, como: “Ela é muito simples!”. Verdade, Claudia Matarazzo estava simples, porém muito elegante.
Claudia mostrou-se de uma elegância única e deu a entender que intencionalmente queria informar que a elegância é simples e não está apenas nas roupas luxuosas das grandes grifes. No decorrer do evento, era possível observar tal atributo através dos gestos, da forma de andar, de conduzir às idéias ao público, de sentar-se e da forma que fez sua explanação.
A segunda situação foi em relação ao tema: maturidade, esse seria o assunto abordado por Claudia Matarazzo. Ai sim algumas pessoas demonstraram maior insatisfação. A moça do comentário citado anteriormente, já desiludida, torceu o nariz e reclamou: “Ih! Isso é coisa de velho, perdi à tarde!”
Havia muitas mulheres bem jovens, outras nem tanto, mas o assunto parecia não ter muito a ver com etiqueta. O que se espera da etiqueta são aquelas regras que nos ensinam o manuseio dos talheres e a boa educação fora ou dentro de casa.
A maturidade emocional é um estágio do desenvolvimento humano, momento em que se olha a vida com a razão. Quando se torna capaz de tomar decisões, de lidar com obstáculos decorrentes, solucionando-os para uma vida melhor. É um tempo alcançado, a fantasia tem seu espaço suprido. Nem todo ser humano atinge esse patamar da vida emocional. No entanto não é propósito abordar essa vertente, embora muitas vezes o tema se entrelace com a conotação dada para a maturidade.
Claudia, fala do tema maturidade, como uma fase da vida. Eufemismo que minimiza a expressão envelhecimento, como outros, melhor idade e terceira idade. Essas expressões referendam a velhice, palavra que choca o homem ocidental, por ser associada a inutilidade, aproximação da morte, quando deveria estar relacionada a sabedoria pela experiência acumulada durante o percurso da vida.
No entanto, maturidade parece ser um assunto de difícil abordagem para uma época em que as pessoas convivem com a Era da imagem, da cultura da aparência, da idéia de construção ou desconstrução dos corpos belos e saudáveis propostos pela indústria das intervenções cirúrgicas e dos cosméticos que tornam pessoas “felizes, jovens e aceitas”. A somatória desses feitos as levam a uma vida saudável e a alta estima elevada (MESQUITA, P. 69, 2004).
A palestrante trás uma reflexão sobre o uso da moda, da ética, do bem estar, quando já não se é mais tido como padrão de referencia de beleza numa sociedade em que se acredita que a velhice rouba a beleza do existir.
Claudia Matarazzo iniciou o assunto dizendo que maturidade não é coisa de “velho” e nem de pessoas arcaicas e sim assunto para todas as idades, inclusive as muito jovens deveriam ouvir com atenção. Lembrou que nossa juventude cronológica é efêmera, ou seja, passamos a maior parte de nossas vidas na maturidade. A mídia e a própria sociedade é quem nos vende a idéia da juventude sacrificada, ou seja, as mulheres estão cada vez mais preocupadas em manter corpos bonitos e se esquecem de valores que as enobrecem enquanto seres humanos. Mulheres atuais percorrem caminhos dolorosos na esperança de mudar sua aparência. Essas mulheres, embora tenham outros designos, comparam-se com a artista plástica Frida Kahlo, as quais se condenam a uma vida sacrificada pelas cirúrgias ao longo de suas vidas.
Para ser aceito pelo outro, as pessoas estão em busca de imagens idealizadas pelo consumo, tem como referencia de beleza corpórea, as modelos magérrimas, os corpos esculpidos pelas plásticas, pelo uso dos cosméticos, das massagens e uma multiplicidade de produtos e recursos oferecidos pelo sistema mercadológico.
Maturidade se torna algo excepcional quando nos preparamos para recebê-la. Ter maturidade é ter coragem de desplugar o computador e o celular, não quer dizer que não devemos usá-lo, mas sim saber desligá-los na hora certa. È utilizar a tecnologia a nosso favor e não nos tornarmos alienados às propostas ditatoriais do sistema. Claudia nos lembra que a mulher ficou com uma jornada maior que o homem, ou seja, o sexo feminino na idade contemporânea vem ganhando cada vez mais papéis diferenciados na sociedade: mãe universitária, mulher executiva, mãe desempenhando papel do pai, mãe que sustenta a casa, mulher que desempenha o papel de operária e ao mesmo tempo dona de casa, enfim, a mulher tem exercido vários papéis enquanto que ao homem foi lhe acrescentado pouca coisa.
A maturidade (emocional) nos permite o desenvolvimento do senso crítico apurado, seletivo, maior consciência em relação ao que está em nossa volta, valorização do tempo e daquilo que criamos ou desenvolvemos. A maturidade nos coloca mais próximas de um real externo. Mulheres que chegam à maturidade com a idade emocional da juventude, não conseguem viver plenamente o presente, estão sempre voltadas para o passado se utilizando de símbolos ou idéias que não estarão nem no presente e nem no futuro. A roupa, por exemplo, pode ser um desses símbolos, mulheres que não aceitam a maturidade na maioria das vezes tendem a buscar elementos que lembram a juventude, uma saia muito curta que pode não lhe cair bem por já não ter as mesmas pernas de anos atrás. Roupas infantilizadas, gestos, comportamento, cabelos entre outros.
Maturidade é se aceitar e oferecer o melhor de si, analisar sua vida atual e adaptar tudo aquilo que combina com ela. Saber que a beleza está em todas as épocas e ter a moda como uma aliada a seu favor.
O encantamento pela vida é um grande passo para a maturidade saudável e feliz. Esquecer a raiva, inveja, o desprezo pelo outro. Buscar sempre o equilíbrio e realizar coisas que lhe façam bem até mesmo uma simples caminhada se torna agradável quando a vemos como algo prazeroso.
Claudia Matarazzo num momento de descontração levantou um questionamento interessante. Todos nós se tivermos sorte, envelheceremos, é um processo natural e real. No entanto existem duas formas para chegarmos a esse processo. Sermos “velhinhas tranqueiras, chatas, resmungonas, mal humoradas ou velhinhas chiques e elegantes que todos querem tê-la por perto”.
Maturidade, segundo Claudia, é envelhecer com dignidade, respeito, sabendo se posicionar na sociedade. Envelhecer è ter um valor equiparado a uma peça rara de um antiquário que futuramente poderá tornar-se uma idéia víntage na vida e na memória das pessoas, ou seja, é tornar-se imortal, é ser lembrada para sempre. Está ai o recado dado com muita elegância por Claudia Matarazzo. A platéia no geral parece ter gostado muito e entendido que a etiqueta social é uma pequena ética que discute assuntos relacionados ao comportamento e o bem estar da sociedade.