A mulher de sua vida

por Henrique Schneider

Luciana atendeu e sua voz era um sorriso claro ao telefone. O coração de Éderson pareceu pulsar em dobro quando ela disse que estava pensando em ligar, mais ainda quando a garota respondeu que também queria vê-lo novamente, mais ainda quando aceitou o convite para saírem naquela semana. Na fala de Luciana, Éderson soube que ela também passara o tempo pensando nele. E quando pode ser, perguntou ele, pronto para adequar sua agenda a qualquer resposta.

“Só não dá para ser na quarta, por causa do jogo do Inter.” – respondeu ela. – “É que jogo do Inter eu não posso perder. Não quer ir comigo?” – ela perguntou.

“Não dá.” – ele riu. – “É que eu sou gremista.”

Do outro lado da linha, houve um silêncio estranho. Depois ela disse, gelo em sua voz:

“Ah, gremista. Pois é…” – e ficou novamente em silêncio, talvez procurando o que dizer. Algo que não fosse muito indelicado.

E naquela hora Éderson soube que havia perdido a mulher da sua vida.




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