A revolução de 64 do ponto de vista dos biquínis
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Há alguns anos o Arquivo Nacional, por meio da internet, disponibilizou vasto material documental referente às polícias políticas no Brasil. Trata-se do projeto “Memórias Reveladas”. Enganam-se os que imaginam conter nestes registros apenas informações de lutas político-partidárias. A documentação do projeto “Memória Reveladas” também possibilita o estudo de temas aparentemente sem nenhum vínculo com os objetivos das instituições repressoras, como é o caso da história dos valores morais ou dos objetos da vida cotidiana Exemplo disso é a ficha BR RJANRIO,XX D7.0.FAM, FOT.7, acompanhada pelo respectivo documento digitalizado que retrata “Maria Teresa Fontella Goulart em trajes de banho à beira de uma piscina”. A fotografia da esposa do presidente João Goulart foi produzida entre 1958 e 1960, mas provavelmente ingressou após 1964 nos arquivos da polícia política. Há poucos elementos que permitam contextualizar a imagem, mas ela é reveladora de um aspecto pouco explorado pelos pesquisadores. Entre 1945 e 1964, registra-se uma imensa renovação nos costumes, sendo que em muitas capitais brasileiras observa-se uma progressiva autonomia da mulher, expressa na liberdade da escolha de como se vestir. O que, com certeza, desafiou tradições patriarcais. Já é hora de considerar essa “subversão cultural” um elemento não desprezível na mobilização de muitos que pouco tinham a ganhar com o golpe militar. Para saber mais, clique aqui.