Anselmo Duarte, vítima do star system brasileiro

do Blog de Luís Antônio Giron
Novembro 07, 2009

Anselmo Duarte foi vítima da inveja dos colegas

Anselmo Duarte é até hoje considerado o mais importante cineasta do Brasil. Sua história como galã absoluto da Vera Cruz e sua trajetória como diretor o tornaram insuperável. Ele foi o primeiro (e até hoje único) diretor brasileiro a ganhar a Palma de Ouro no Festival de Cannes, em 1962, pelo filme O pagador de promessas. Além disso, ele conquistava todas as mulheres e era um galã. Sua carreira foi literalmente invejável. Foi tanta inveja em cima dele, que ele foi banido da arte para a qual nasceu, o cinema. Tornou-se um folclore. E agora o perdemos sem ter consciência de sua enorme importância para o cinema nacional.

O ator e diretor talvez parecesse um chato, porque sempre estava reivindicando para si próprio a coroa do cinema brasileiro. Ele de fato sempre a mereceu. Mas a turma “jovem” do Cinema Novo, por pura inveja, tratou de desqualificá-lo, de tachá-lo de popular, de pessoa sem formação. Como Anselmo contou em uma biografia lançada nos anos 90 (recomendo a leitura, porque traz saborosos detalhes de bastidores), ele de fato vinha do cinema primitivo, não obteve títulos universitários como os moços do Cinema Novo, nem era metido a crítico de cinema, como Glauber Rocha, Cacá Diegues, Arnaldo Jabor e a turminha toda. Era um sujeito simples, direto nas suas ideias e nas sua visão de cinema. E como os cinema-novistas dominavam o jornalismo cultural, ele foi banido, desprezado, espezinhado.

Entrevistei algumas vezes o Anselmo. Era um sujeito imponente e jamais perdeu a majestade de galã. Falava com grande orgulho de seu passado, mas sempre com delicadeza. Seu rancor era quase lírico. Ele queria ser reconhecido como o maior. Quem viu O pagador de promessas sabe de sua dimensão. Um filme que agarra a alma brasileira e suas crendices pela raiz.

“O Brasil não é para principiantes”, costumava dizer Tom Jobim, que em vida também foi incompreendido, para depois virar santo na morte. E é verdade. Ter excesso de talento é um grande problema neste país. Sobretudo se você não faz parte de uma turma influente e intelectualmente “superior”. Isso aconteceu com Anselmo, ator romântico e cineasta exemplar, bonito, inteligente e ainda por cima popular. Era demais para os desmazelados garotos do Cinema Novo…




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