Brincar na infância

por Dora Lorch

Quando vemos crianças brincando, achamos tão natural… Mas não é bem assim, primeiro porque no mundo todo tem muita criança arcando com problemas de gente grande, depois porque o direito a brincadeira é recente, nem sempre as crianças foram tratadas diferentemente dos adultos.

Foram preciso muitos séculos para as pessoas perceberem que as crianças tinham características próprias, e que precisavam de atenção diferenciada do adulto.

Até o ato de brincar teve que ser conquistado, lembrando que as crianças usam a brincadeira para trabalharem e dominarem as dificuldades do passado e do presente, além de ser a maneira de expressar o que ela tem dificuldade em colocar em palavras., e exercitar seus processos mentais.

Se ela apanha do pai e não compreende o motivo vai brincar de bater, se perdeu alguém querido e não conseguiu se conformar com isso vai brincar de morte.

Com freqüências as brincadeiras fazem parte do esforço para entender o mundo que as cerca, como por exemplo, quando imitam seus pais. Por isso é tão ruim quando os pais dão palpites nas brincadeiras dos filhos, pois não permitem que a criança ultrapasse ou domine os problemas que a brincadeira esta propondo.

As brincadeiras raramente se repetem da mesma maneira, mudam em pequenos nuances, mas aponta as diversas tentativas da criança encontrar uma imagem simplificada do mundo, de maneira que possa “dominá-lo”. O brincar neste sentido ensina hábitos de manipulação, paciência, perseverança e aplicação, fundamentais para o cotidiano do adulto.




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