Como os críticos perderam a fé – e a importância
A estudiosa Flora Sussekind foi cruel no ensaio que escreveu para o caderno Prosa & Verso do jornal O Globo de 24 de abril. Seu texto brutal me fez meditar não apenas sobre o exercício que faço todos os dias – o da resenha cultural não-acadêmica de livros, cinema, teatro, música – como principalmente sobre a função e importância da crítica hoje. Será que os críticos acabamos? E que estamos reduzidos a seres rastejantes, presas fáceis daquilo que desde Theodor Adorno chamam “indústria cultural”?
Elisa, Mércia e outras mulheres descartáveis?
por Dora Lorch
Tenho recebido telefonemas de mães que estão abismadas com o comportamento do goleiro Bruno, sem saber como consolar seus filhos que tinham nele um ídolo. Sem dúvidas que uma pessoa de vida pública que esta envolvida em escândalos causa mesmo comoção geral. Ainda mais porque todo mundo acha que ser jovem, ter sucesso profissional, dinheiro, e fama são suficientes para se ter felicidade. E até que podem ter razão, mas tudo isso não dá IMUNIDADE contra os fatos da vida, nem em relação à lei. Então aí está um bom momento para se discutir ética e moral.
por Dora Lorch
Muitas vezes os pais e educadores querem saber se é aconselhável comprar brinquedos considerados agressivos como revólveres de brinquedo e coisas do tipo, por isso quero analisar esta questão com cuidado.
Primeiro é bom lembrar que todas as crianças apresentam sentimentos e comportamentos agressivos, que são inerentes ao ser humano e se prestam à preservação da espécie. Podemos citar aqui para quem se interessar o livro Agressão de Konrad Lorenz que era biólogo e estudou a importância da agressão para várias espécies e mostra que a agressividade está presente em ações tão sublimes como amar. Explicando melhor, sem uma certa dose de agressividade o ato sexual não seria consumado. Sem agressividade não enfrentaríamos os problemas do cotidiano, não lutaríamos pela vida.
Memórias de Coetzee, pelos outros
Entre os anos de 1972 e 1973, o escritor John Maxwell Coetzee morou com o pai em um subúrbio de Pretória, na sua África do Sul Natal. Era o país revoltante do apartheid, da separação entre os brancos africânders e os negros. Coetzee, africânder, descendente de holandess, não tinha publicado livros e era totalmente desconhecido. Ele havia passado dois anos nos Estados Unidos como professor. E voltou à África do Sul sem muitas perspectivas. Precisou morar na casa do pai e ajudá-lo em tarefas diárias, como o conserto da laje da casa. Com 32, 33 anos, ele ganhava um pouco de dinheiro dando aulas de inglês para refugiados brasileiros e até conseguia ter relações amorosas com mulhres, em geral casadas.
por Dora Lorch
Quando falamos, quando escrevemos, quando brincamos deixamos transparecer um pouquinho de nós.
Por exemplo se peço para você falar sobre o panorama político do Brasil de hoje você pode colocar sua opinião ou simplesmente descrever o que está acontecendo. Se der sua opinião mais facilmente posso saber como você pensa, mas mesmo que não diga nada diretamente, estará dizendo algo nas entrelinhas. Posso achar que você não consegue se colocar, posso achar que está com medo que sua opinião pese contra, posso achar que sempre fica em cima do muro.
Quero que você saia do Facebook
Por que as redes sociais podem ser perigosas
Não quero ver você no Linkedin. Vade retro, Orkut! MySpace? Estou fora. Não pretendo seguir nem Deus nem Lady GaGa pelo Twitter. Me exclua do Sonico. Xô, messengers do gmail, da Microsoft e do Yahoo! Eu quero que você saia do Facebook. E assim por diante, se me esqueci de alguma rede social, saibam que não são bem-vindas. Que diabo, livre-se delas. Pratique o desapego e vá nadar, correr, ler, tocar música, jogar bola… Faça qualquer coisa, mas não se escravize a um monitor de netbook ou smart phone. Tenho a coragem de ser racional e rompa com a veneração às máquinas, aos signos digitalizados que piscam até no seu inconsciente. Quero tirar você desse lugar – para citar o Odair José. Ou como diria ou aprovaria o antigramático Ataliba T. de Castilho: “menas”, por favor!
por Dora Lorch
O que você acha de uma criança que usa um brinquedo de uma maneira diferente da proposta: por exemplo usa um secador de brinquedo como um revólver? Ele está errado? Pode estar em desacordo com as especificações do fabricante, mas quem disse que está errado em relação à criança? Querer impor uma única maneira de brincar é privar os pequenos de dar significados e usos alternativos aos mesmos objetos.
Deixe as crianças se inter-relacionarem e o grupo imponha suas posições. É mais efetivo do que os adultos imporem as normas. Mas os adultos podem escolher histórias que tenham correlação com as atitudes ou brincadeiras que as crianças estão desenvolvendo de modo a mostrar de maneira indireta outras maneiras de agir e pensar. Nas histórias as crianças interpretam o que estiver em consonância com seus sentimentos naquele momento.
Por que os palcos brasileiros se converteram em formigueiros de banalidades e fracassos
Eu sempre abominei este tipo de expressão: “Me inclua fora dos palcos do Brasil”. Ou: “Teatro brasileiro? Tô fora!…” Mas agora esse tipo de manifestação já me parece menos preconceituosa que a constatação da deprimente realidade: o teatro feito no Brasil está péssimo e seus maiores encenadores, em agonia.
por Dora Lorch
A maior lição que podemos ter com jogos é que o mundo não acaba quando perdemos. E que vitórias e derrotas na vida são coisas passageiras, portanto não devemos descansar em seus louros nem desistir de lutar, pois os reveses são passageiros como tudo o mais na vida. Mas para isso é preciso que as brincadeiras sejam espontâneas e tenham um direcionamento interno e não determinado pela professora. É preciso também que os adultos possam vibrar e incentivar os pequenos mesmo quando eles não se saem bem, olhando seus acertos, comentando seus erros, na certeza de que podem se sair melhor numa próxima vez. Isso dá auto-confiança.
por Dora Lorch
Ensinamos nossos filhos a se contentarem com o que tem, a dividir os brinquedos, os espaços. Consideramos isto boa educação.
Mas, criança, sabe como é, tem sentimentos genuínos e nem sempre quer ceder, nem sempre é polida com os outros e isso pode gerar confusão. Ainda mais porque achamos que certos comportamentos são sinal de falta de educação, e não raro culpamos os pais por tais atos.
Foi assim com o Marquinhos: ele levou o caminhão do amigo para casa. No dia seguinte, a professora disse que o amigo tinha ficado triste, que isso não é coisa que se faça, e pediu para ele trazer o caminhão de volta.
Mas nem no dia seguinte, nem no seguinte do seguinte este caminhão voltou para a escola.
por Rodrigo Gurgel
em Sibila
Estado Crítico
A coletânea Primos – histórias da herança árabe e judaica, organizada por Adriana Armory e Tatiana Salem Levy, nasceu de um ideal utópico: concretizar, na literatura, a fraternidade que a história insiste em manter no plano das ideias. As jovens escritoras, contudo, esqueceram-se de que as palavras não têm esse poder – seja no que se refere à frágil literatura, seja no que concerne à diplomacia, arte do diálogo tantas vezes errático. E não se recordaram também que, diferente de suas falsas certezas, tão ao gosto da demagogia que hoje impera no país, o Brasil, analisadas com um passar de olhos as estatísticas sobre desigualdade social e violência, está longe, muito longe de ser a “terra prometida [...]: a terra da palavra, onde o diálogo e o sonho se refazem e podem se tornar realidade”.