A revolução sexual como dever de casa

Chegará o dia em que nossos netos estudarão o século XX como um período já longínquo. Quando isso ocorrer, não será estranho que nos exercícios “para casa” constem perguntas a respeito da “revolução sexual”. É bom nos precavermos. Um primeiro passo é compreender a cronologia da mudança. A revolução sexual lutou contra uma sociedade em que várias instituições (família, igreja, escola etc) proibiam algo que parece óbvio hoje em dia: o direito em relação ao próprio corpo. A década de 1960 é considerada como marco nesta luta. Uma característica interessante desse período é que ele foi precedido por vinte anos nos quais o sexo deixou de ser associado à morte. Tal associação foi comum até os anos 1940, pois desde o século XVI a sífilis era considerada uma doença sexual incurável e mortal. A invenção e generalização da penicilina tornaram possível a cura deste mal. Os anos 60 também em muito antecederam ao surgimento de uma nova e devastadora doença sexualmente transmissível: a AIDS, identificada somente em 1980. Como se vê, nos últimos quinhentos anos, a década da revolução sexual foi uma época incomum.  Para saber mais, clique aqui

 




Do milk shake à maconha

O consumo de maconha teve origem na Índia, há milhares de anos. De lá se espalhou em direção a várias áreas européias e africanas. Nesse último continente, a planta chegou via o oceano Índico, atingindo Moçambique e de lá novamente se espalhando. Há registros do uso de maconha em Angola do século XVI. Nesse século, a cannabis sativa atravessou o oceano Atlântico, acompanhando a rota do tráfico de escravos. Ao longo desse processo, recebeu outros nomes: pango, diamba, riamba, fumo de Angola etc.

Há mais de trezentos consome-se maconha no Brasil, mas esse consumo geralmente era associado a grupos sociais marginais, primeiramente escravos e depois criminosos. Na década de 1950, o costume migra para a turma do milk shake, ou seja, rapazes e moças da classe média. Conhecer esta história é o primeiro passo para entender o problema. Para saber mais, ver




@ Jean Genet

por Mary Del Priore

Nas ruas das grandes cidades brasileiras já é possível ler em muitas camisetas “100% negro!”. Desde os anos 80, teve início um debate interno sobre a diversidade cultural e racial do brasileiro. A maior parte destes debates contaminou à consciência negra pela brecha da cultura popular. A música e as escolas de samba tiveram, nesse sentido, um importante papel mobilisador. A busca da “pureza africana” acompanhou-se também de uma crítica feroz ao sincretismo. Finalmente, a aprovação de cotas para os afro-brasileiros na universidade e no funcionalismo público acabou por negar a fábula do encontro harmonioso entre as três raças. Durante muitos anos, os negros aceitaram a ilusão de que a mestiçagem poderia ser a solução para a discriminação racial, diluindo a cor em casamentos mistos. Mas a questão da raça está também ligada à da posição social: quanto mais sobem na escala social, mais negros se tornam brancos. leia mais »




O movimento gay venceu o comunismo

Após a queda do muro de Berlim, em 1989, a própria concepção de política sofreu uma mudança radical. Desapareceu do horizonte a idéia da revolução comunista. A experiência do século XX revelou que a igualdade implantada à força resulta em mais desigualdade, quando não em governos tirânicos. Se a revolução comunista desapareceu do horizonte, o mesmo não se deve afirmar em relação à idéia de “revolução”. De certa maneira, ela migra para outros movimentos sociais. Não deixa de ser interessante observar que as Paradas Gays – ou Paradas do orgulho LGBT, para utilizarmos a expressão atual – se generalizam após o fim do comunismo, mas utilizam as mesmas técnicas de mobilização de massa desse último movimento. No Brasil, tais paradas certamente reúnem mais participantes do que as comemorações do 1 de maio – Dia do Trabalhador -, revelando que, na pós-modernidade, as políticas de identidade substituem as de classe social, assim como a revolução coletiva é substituída pela individual.  Para saber mais, clique aqui




Quando posar nua é melhor do que ser engenheira?

Em 2010, os recursos movimentados por nosso mercado publicitário – em todos níveis (TV, jornais, internet etc) -  foram da ordem de 36 bilhões de reais. É dinheiro prá caramba! Para se ter noção do significam esses valores, basta compará-los aos 22 bilhões investidos pelo MEC, no mesmo ano, em educação superior. As novas gerações já perceberam as prioridades dos investimentos brasileiros. Com certeza, para cada menina que planeja ser engenheira, há centenas que sonham ser modelo. Diante das opções de investimentos que fazemos, essa escolha não é tão absurda assim… Para saber mais, clique aqui




Qual a relação entre biquínis e corridas de cavalo?

Resposta: Jânio Quadros. .. Quando presidente, Jânio Quadros encaminhou ao congresso vários decretos extravagantes e popularescos. O político tentava, assim, conquistar apoio de parte da classe média, atemorizada frente às transformações comportamentais da década de 1960. Dentre as medidas tomadas constam a proibição de corridas de cavalo em dias de semana e o uso de trajes de banho em desfile de misses. Eis a íntegra do último decreto: “Nos concursos de beleza, seleções de representantes femininas e semelhantes, as competidoras e participantes não poderão apresentar-se ou desfilar em trajes de banho sendo tolerado o uso de saiote.” Saiba Mais




A origem do “pivete”

Entre fins do século XIX e início do XX, surgem queixas em relação a crianças vadiando em ruas das capitais e cometendo pequenos furtos. Por essa época, começa a ser utilizada a palavra “pivette” (com dois “tt”) para caracterizar os menores infratores. Ironicamente, o termo tinha uma origem bastante elitista. Seguindo a moda francesa da época, jornalistas e escritores, como João do Rio, adotaram a palavra de origem provençal. Seu significado era “erva daninha” ou “erva”. Uma lei de 1888, que regulava os preços dos produtos comercializados nas estradas de ferro paulistas, registrou, inclusive, a expressão “pivetes medicinais” para caracterizar as “ervas medicinais”. Saiba mais




Doentes elegantes e pacientes impacientes

por Claudia Matarazzo

Lourdinha já tem oitenta e oito anos. Alguns anos atrás levou um tombo e fraturou a o quadril. A queda ocorreu em uma sexta. Sábado ela se operou e domingo a visitamos no hospital. Dizia que terça-feira iria para casa. Como é uma mulher admirável e dinâmica acreditamos e, na terça-feira, liguei para saber como estava. A moça que atendeu disse:

- “Está ótima, achei que estava aqui, mas ela foi até o banheiro”.

Em menos de um mês já estava andando apenas com a ajuda de uma bengala e ninguém duvida que sua recuperação foi espantosamente rápida graças, em grande parte, a seu temperamento lutador.

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Conversa ao vivo @claumatarazzo

por Claudia Matarazzo

Celular, Orkut, MSN, e-mail, telefones fixos…. Ufa! Jamais tivemos tantas ferramentas de comunicação como hoje, mas estou convencida de que em toda a história da humanidade, esta é a era em que as pessoas sentem-se mais isoladas.

Quando confrontadas com a necessidade de enfrentar uma conversa ao vivo com alguém ou mesmo de ir sozinhas a uma reunião ou festa, não é raro que as pessoas desistam do intento ou sintam-se apreensivas, algumas chegando mesmo a paralisar de aflição.

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Comer no escritório @claumatarazzo

por Claudia Matarazzo

Sou contra, radicalmente contra comer escritório. Acho que a gente deve se obrigar a levantar da mesa, sair da sala, e fazer um intervalo para relaxar e desfrutar uma refeição por mais frugal e rápida que seja. Sem falar que assim você relaxa, vê outras pessoas e até pode aproveitar para caminhar.

Ok, nem sempre é possível e muita gente acaba preferindo comer no escritório. Quando não há refeitório na empresa, o que acaba acontecendo é que se come na própria mesa de trabalho.

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Etiqueta em Condomínios @claumatarazzo

por Claudia Matarazzo

Com a diminuição dos espaços e a moda dos condomínios horizontais, além dos verticais, vizinhos estão cada vez mais próximos e, portanto é preciso saber não invadir o espaço alheio. É fundamental saber viver nos ambientes coletivos. É basicamente uma questão de respeito, de não fazer o que não queremos que façam conosco. E embora às vezes a situação chegue a um ponto mais crítico, é tudo uma questão de jeitinho e bom senso.

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