Agente literário profissionaliza relações no mercado editorial

Agente literário é o profissional do mercado editorial que presta serviços de suporte jurídico e administrativo para escritores. Isso significa cuidar da negociação de cessões, contratos e administração de direitos autorais. É trabalhando dessa forma que este profissional deixa ao autor mais tempo para se dedicar a seu ofício específico e aos projetos que está desenvolvendo.

Outra face do trabalho do agente é a prestação de serviços para as editoras. Neste caso, a especialidade do agente é representar, no Brasil, empresas editoras estrangeiras. E, no exterior, negociar pelos interesses das brasileiras. Nesse papel, o agente prospecta a viabilidade de publicação de obras e ajuda a tornar mais ágeis as tramitações contratuais. Notadamente entre as editoras brasileiras há uma tendência em centralizar contatos com as agências nacionais.

Nas duas modalidades de atuação, representando autores ou editoras, os agentes literários defendem os interesses de seus clientes – sejam comerciais, buscando as melhores condições de pagamento; sejam editoriais, pensando na melhor adequação da obra a uma coleção. Para levar adiante este trabalho, o agente literário é remunerado com porcentagens que variam de 10% a 20% sobre os ganhos de seus clientes, ou, no mercado norte-americano, até 35% para algumas vendas.

Contatos e contratos

O agente literário tem como obrigação profissional manter-se atualizado sobre as tendências e novidades do mercado editorial, em todos os sentidos. Isso inclui um acompanhamento dos temas em evidência, dos lançamentos e relançamentos de títulos, do calendário de eventos do setor, de mudanças na legislação, das novas tendências, dos novos talentos e das novas mídias.

Quanto maior a sintonia do agente com o mercado, maiores são as possibilidades de levar às empresas publicadoras boas propostas, afinadas com linhas editoriais e projetos que estão sendo desenvolvidos. Oferecer bons títulos para as editoras significa, também, estar encaminhando e destinando, da melhor forma, o trabalho de seus clientes. Transitar por esses meandros implica desenvolver relações baseadas em profissionalismo e sigilo, que vão conquistando a confiança dos editores a cada dia.

Há quem defina o profissional de agenciamento literário como o especialista em “contatos e contratos”. Basicamente, estas são as duas tarefas principais que garantem que a agência seja bem sucedida na representação de seus clientes. Por trás destas duas tarefas, entretanto, o agente literário precisa dar conta da agenda movimentada, que inclui um minucioso cuidado com a correspondência (fax, e-mail e cartas), propostas e projetos, inúmeros telefonemas diários, a preparação de contratos, contatos com editoras, o andamento de negociações, a prestação de contas de direitos autorais, reuniões, participação em feiras de livros, comparecimento a eventos e rigoroso acompanhamento do noticiário sobre mercado editorial.

O trabalho específico com os autores também exige bastante. Às vezes o agente tem ótimas notícias para dar, outras vezes tem notícias ruins e, muitas vezes, ainda não tem notícias. Mas trata-se sempre de uma relação gratificante, divertida, de mútuo crescimento e aprendizado.

Mercado pequeno, ofício apaixonante

No Brasil, as agências literárias são empresas de pequeno ou médio porte que, normalmente, trabalham com pouco capital. Dentro de um orçamento apertado, é preciso arcar com impostos altos, manter um escritório bem localizado, remunerar a equipe e dispor de uma verba para atividades de representação – jantares, feiras, viagens. A participação em feiras editoriais no exterior, por exemplo, significa um alto investimento, de caráter obrigatório, cujo retorno não é automático.

Outro aspecto que dificulta o funcionamento dessas empresas é que elas atuam sempre com uma margem de risco muito alta. Ao apostarem em um original ou projeto de seus clientes, não há como garantir bons resultados ou o retorno financeiro necessário. Em alguns casos, contabilizam-se experiências negativas, que não venderam o esperado.

Hoje temos conhecimento de nove agências literárias representando editoras estrangeiras e autores nacionais. Trata-se de um número muito reduzido, mas são menos ainda as que atuam em todos os desdobramentos possíveis no campo dos direitos autorais (veja quadro abaixo).

No Brasil não há cursos de formação para o agente literário. A Câmara Brasileira do Livro já anunciou o oferecimento de curso, pela Escola do Livro, mas ainda não há um calendário previsto para início destas atividades. A falta de formação específica pode ser suprida por cursos ou especialização em outros segmentos da área, como direitos autorais e editoração, por exemplo.

Para quem quer entrar neste mercado, nossa sugestão é a de que desenvolva um perfil que reúna boa cultura geral, capacidade de comunicação interpessoal, agilidade mental para gerenciar várias tarefas ao mesmo tempo, disposição e gosto por atividades de negociação. Além disso, é claro, enorme paixão pelo ofício, e a consciência de estar trabalhando em um segmento de importância capital para a valorização da cultura.