Doentes elegantes e pacientes impacientes
TweetLourdinha já tem oitenta e oito anos. Alguns anos atrás levou um tombo e fraturou a o quadril. A queda ocorreu em uma sexta. Sábado ela se operou e domingo a visitamos no hospital. Dizia que terça-feira iria para casa. Como é uma mulher admirável e dinâmica acreditamos e, na terça-feira, liguei para saber como estava. A moça que atendeu disse:
- “Está ótima, achei que estava aqui, mas ela foi até o banheiro”.
Em menos de um mês já estava andando apenas com a ajuda de uma bengala e ninguém duvida que sua recuperação foi espantosamente rápida graças, em grande parte, a seu temperamento lutador.
Há vários tipos de doentes com basicamente dois tipos de comportamento: os que reclamam muito, para quem nada está bom e os estóicos, que jamais pedem algo e que, muitas vezes vêem seu estado agravado por terem mascarado o sofrimento com uma atitude corajosa, porém desnecessária em um momento em que, o ideal seria aceitar a ajuda e solidariedade das pessoas queridas e/ou amigas.
E se você já está pensando que é terrível submeter seus amigos e familiares a tarefas extras por conta de alguma operação marcada ou doença mais longa, pense que eles estão quase mais aflitos que você – ante a perspectiva de não poder (ou não saber como) ajudá-lo/a se recuperar bem e logo. Adote três princípios ao visitar ou conversar com qualquer doente:
Não banalize o problema – é isso aí. Não precisa entrar em pânico contagiando o paciente, mas também não é o caso de minimizar algo que, no momento, é vital para a outra pessoa.
Não ofereça gurus e tratamentos mirabolantes – uma coisa é indicar alguém da sua confiança, outra muito diferente, é confundi-lo com afirmações vagas e bombásticas como: ouvi dizer que em Poços de Caldas há um mago nesse tipo de coisa, você precisaria antes de tudo fazer um diagnóstico com ele!
Não conte histórias de horror – sabe aquele tipo que, com a melhor das intenções avisa sobre a UTI do hospital que você está internado que, segundo um amigo médico é muitíssimo mal equipada? Pois parece piada, mas na ânsia de entrar em sintonia com o assunto “doença” as pessoas tendem a entrar nesse tipo de conversa.
Finalmente, se você é o paciente, lembre-se de fazer tudo para ignorar solenemente esse tipo de interferência. Afinal de contas, pensando bem, todo mundo tem histórias horríveis de bastidores para contar sobre bancos, supermercados, aeroportos etc.