E os egípcios descobriram o Brasil

Ao leitor de hoje é difícil imaginar um intelectual de prestígio nacional defendendo seriamente, e fundamentado em investigações supostamente científicas, a idéia de que certos povos indígenas brasileiros se originaram de populações que emigraram do Mediterrâneo da época dos faraós… Pois bem, Francisco Adolfo de Varnhagen (1816-78), considerado o historiador mais importante do Brasil Império, fez isso. Em 1876, ele publica em francês o livro L’origine toranienne des américains tupis-caraïbes et des anciens égyptiens, divulgando os resultados de vários anos de pesquisa, muito provavelmente na esperança de influenciar o debate brasileiro e internacional a respeito da origem dos povos americanos.

O texto em questão não era fruto de uma aventura intelectual de um iniciante, mas sim o resultado de anos de reflexão. Varnhagen procura mostrar, através de informações arqueológicas e filológicas, que as populações indígenas brasileiras tiveram origem em dois processos migratórios: os grupos macro-gê (ou tapuias) originaram-se do deslocamento de asiáticos, principalmente mongóis; enquanto os grupos tupi resultaram de migrações de Cários, povos de origem asiática que haviam habitado o Egito.

O célebre historiador se posicionava criticamente frente ao debate romântico-indianista, que procurava no passado nativo as raízes da nacionalidade brasileira. Segundo Arno Wehling, interprete atual de Varnhagen, tal posicionamento significou um aprofundamento das críticas a esta vertente intelectual, pois revelava que os índios não eram autóctones, mas sim invasores, não sendo, pois, representantes de uma “nacionalidade brasileira” pré-colonial. Para saber mais, clique aqui!




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