Evangelho de Maria Madalena

por Edson Aran

Primeiro foi Judas. Agora Madá também conta seus segredos

Depois da descoberta do “Evangelho de Judas” e do “Livro de receitas de Jesus Cristo”, um novo achado abala o mundo da arqueologia religiosa. Dentro de uma caverna próxima ao Mar Morto, o pastor de cabras Ali Sifudeu, o egípcio, encontrou vários jarros de terracota onde se alojavam estranhos pergaminhos. Depois de se aliviar das impurezas do seu corpo, sempre de costas para Meca, como Alá ensinou a Maomé, ele resolveu se limpar com um pedaço do papiro milenar e descobriu, incrédulo, que se tratava de um evangelho escrito por Maria Madalena.

O texto, traduzido do aramaico pelo poeta concreto e transformista Oraldo Grunhevaldo, não deixa dúvidas sobre a relação íntima entre Maria Madalena e Jesus Cristo, tema de vários teorias conspiratórias, romances de sucesso e revistas de fofocas gnósticas. Com o apoio da National Geographic Society, o Site do Aran reproduz alguns trechos do polêmico evangelho.

Cap. 2, v. 13
Toda vez que eu saio com o JC, ele pede um pãozinho, um peixinho e a gente passa a noite inteira comendo isso. E só pão e peixe, peixe e pão. E você acha que ele compra um vinhozinho pra acompanhar? Nada. Ele pede um copo d’água, faz uns passes e transforma a coisa num vinho doce vagabundo, sem terroir, sem tanino marcado e com retrogosto de urina de gambá. Já vi judeu pão-duro, mas esse não dá nada pra ninguém. Deve ter aprendido com o pai.

Cap. 4, v. 23
JC disse que morre de amor por mim. Mas ele morre de amor por todo mundo. Se deixar, é capaz do cara morrer de amor pela humanidade inteira.

Cap. 5, v. 31
O problema de começar uma relação é que os amigos do cara vêem junto. O Pedro, por exemplo, só fala de pescaria. É sempre a mesma história. “Aí o JC mandou jogar a rede e nós pegamos umas trezentas mil tilápias. Era cada bitela que só vendo!” Já vi pescador mentiroso, mas o Pedro é o papa da lorota. “E o JC ainda atravessou o mar da Galiléia andando! Graaaaande JC!”
Pior é que o Mateus, o Marcos, o Lucas e o João anotam tudo o que ele fala. Dizem que vão escrever um livro depois. Bando de puxa-sacos.

Cap. 7, v.1
As mãos do JC são divinas.

Cap. 8, v. 29
Judas pegou eu e o JC tomando banho juntos no rio Jordão. Falou que vai contar pra todo mundo. JC nem liga. “Se é Deus é por mim, quem será contra mim?”, ele pergunta. Os romanos? Os vendilhões do templo? Os sacerdotes do templo? Os fariseus? Os seduceus? Os macabeus? Os zébedeus? Hellooo?!

Cap. 11, v.17
O Lázaro precisa tomar banho. Parece bicho morto. Credo.

Cap. 13, v. 3
O problema do JC é que a mãe mimou ele demais. A dona Maria passou 33 anos falando que o filho era um deus. Agora ele não levanta a bunda nem pra carregar a louça da santa ceia até a cozinha.

Cap. 21, v. 5
Homem é tudo igual. Quando começa é aquele fogo só. Depois tudo cai na rotina. O JC vive dizendo que tá pregado. E quando eu pergunto onde foi parar o nosso mundo de amor, ele responde: “Eu não sou desse mundo…”. Ordinário.




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