“Ler é viajar sem sair da poltrona”
TweetA declaração é do escritor Airton Ortiz, que participou das atividades da Feira do Livro do ICAA
Inside – Primeiro Parágrafo
Sexta-feira, 2 de outubro de 2009 – página 3
Quando chegou à biblioteca do Instituto Cenecista Ângelo Antonello (ICAA), o escritor Airton Ortiz admirou-se: “É bem grande para ser a biblioteca de uma escola”. Foi nesse ambiente que, antes da palestra, marcada para iniciar às 10h da quinta, no auditório da escola, o jornalista conversou com o Jornal Informante. Autor de nove livros-reportagem e um romance, ele prepara o lançamento de uma nova obra. Confira os principais trechos:

Ortiz esteve na escola para palestrar aos alunos, na manhã de quinta
Jornal Informante: De que forma o senhor avalia iniciativas como a Feira do Livro do ICAA?
Airton Ortiz: As feiras de livro no Estado são as principais responsáveis por termos no RS um índice de leitura muito acima da média nacional. Acho que toda escola, todo o município, todo o Estado devia ter a sua feira do livro. É o instrumento mais eficaz que eu conheço para aproximar o jovem do livro.
Informante: Pesquisas apontam que cerca de 20% da população brasileira com idade acima de 15 anos é analfabeta funcional. Como é ser escritor nessa realidade?
Ortiz: Uma pesquisa do IBGE mostrou que as famílias brasileiras gastam por ano na compra de livro não-didático apenas R$ 11,00. Se você olhar isso de forma negativa, vai dizer: “não adianta escrever porque o pessoal compra pouco livro”. Eu prefiro olhar assim: “quanto leitor em potencial a gente tem para atingir”. A única maneira que existe de se entrar no mundo do conhecimento, da tecnologia, da informação, é através do livro. É preciso mostrar para essas pessoas que ainda não descobriram o livro que ler é um direito e não um dever.
Informante: O senhor já lançou nove livros-reportagem sobre aventuras vividas no mundo inteiro. Como é trabalhar com uma atividade tão prazerosa como viajar e, depois, transmitir essas experiências para o leitor?
Ortiz: A gente viaja de novo na hora de escrever o livro. Quando a viagem é planejada, a gente viaja também antes da viagem. Eu fico três meses planejando a viagem, três meses viajando e três escrevendo o livro. A partir do momento em que comecei a viajar pelo mundo, passei a descobrir coisas maravilhosas e quis compartilhar isso com os outros, porque não cabe tudo dentro da gente.
Informante: Dessas experiências, qual o senhor destaca?
Ortiz: Eu gosto muito da Índia pela cultura. Do ponto de vista das belezas naturais, considero o Nepal o país mais bonito do mundo. Quanto à natureza selvagem, a Tanzânia é o país mais belo do mundo. No âmbito pessoal, tive uma experiência muito legal no Egito. Atravessei o deserto do Saara numa caravana de camelos e cheguei a um pequeno oásis. Os moradores me disseram que ali perto tinha uma montanha que era uma antiga necrópole e havia uma tumba ainda fechada. Eu fui lá, abri a tumba e encontrei uma catacumba com 25 múmias na forma como elas haviam sido depositadas há 1.200 anos. Foi uma experiência fantástica.
Informante: “Cartas do Everest”, lançado no ano passado, é o seu livro de estreia na ficção. Foi um desafio trabalhar com um romance de aventura?
Ortiz: Sim. Primeiro porque a linguagem literária é bem dife rente da linguagem jornalística, que eu usei na maioria de meus outros livros. Outro desafio foi criar uma história consistente. com personagens convincentes, porque o leitor tem de entender a ficção como algo que jamais iria acontecer, mas como algo que poderia ter acontecido. Coloquei três personagens na natureza selvagem, criei um desafio para eles e comecei a trabalhar o ca ráter de cada um. É uma espécie de síntese das reações humanas diante dos perigos da vida.
Informante: Qual o seu próxi mo projeto?
Ortiz: Eu vou lançar no dia 15 de outubro, no Theatro São Pedro, em Porto Alegre, o meu novo livro, que se chama Vietnã Pós-Guerra. Nele eu narro a viagem pelo Viet nã que fiz no ano passado, quan do visitei todos os lugares onde se deram as grandes batalhas da Guerra do Vietnã. Procuro contar um pouco da guerra sobre o ponto de vista dos vietnamitas, porque até então tudo o que a gente sabe sobre ela é sob o viés americano.