Macumba e a arte de manutenção de motocicletas

por Edson Aran

A editora Zora & Yonara lança este mês “Macumba e a arte de manutenção de motocicletas”, livro lendário de Pai Harley-Davidson de Obuzanfã. Apesar de falar de motos, o autor observa que, a obra, na verdade, é sobre a “comunhão dos berimbós com os tucunarés nos trabalhos de chave de roda.” O livro virou cult e, desde seu lançamento, é usado para ebós em funilarias e oficinas autorizadas. O Site do Aran vai mostrar pra ossuncê uns trechos do livro. Saravá.

  • Quando a motocicleta quebrar no meio da avenida, ossuncê tem que agradar o Tranca-Ruas pra liberar a passagem pra ossuncê. Acende charuto e solta três baforadas em cima do motor da moto. Depois liga pro seguro e chama o guincho.
  • Pra tirar carga negativa da motocicleta tem que fazer um oboró com bará no babalorixá. Capricha no oxinorô que é pra não birimbabar no obaoba.
  • Pra problema do motor, ossuncê tem que fazer ebó com uma vela vermelha e uma tigela cheia de gasolina. Ossuncê prega a vela no fundo da tigela, acende com fósforo de ponta preta e depois joga a gasolina em volta. Deixa no sereno três noites e a motocicleta nunca mais vai negar fogo. Pai Harley-Davidson aconselha zifio a usar luvas de amianto no trabalho.
  • Pra reconquistar a pessoa amada e não ser fechado no trânsito caótico da grande metrópole, ossuncê tem que colocar uma sirene vermelha no guidão e usar capacete branco durante uma semana, começando na primeira lua cheia do mês. Quando o trânsito parar, ossuncê liga a sirene vermelha e os caminhos vão se abrir pra ossuncê.
  • Pra não ficar na rua da amargura, ossuncê tem que enfeitar a motocicleta com dourado, pendurar duas fitas brancas no guidão e amarrar uma flor vermelha no capacete. Se a polícia parar ossuncê, fala pro alibã que a moto é um trio-elétrico e que zifio tá indo pro carnaval na Bahia.
  • Pro freio não falhar, ossuncê mistura uma cuia de farofa de dendê com óleo de máquina e deixa numa via elevada expressa em noite sem lua. Se ossuncê escapar de atropelamento e morte certa, nunca mais corre risco de vida.
  • Pra ter sempre mulher bonita na garupa, ossuncê tem que pegar uma galinha, amarrar no banco de trás e sair dando volta pela cidade durante três dias e três noites. As mulheres vão se aproximar e perguntar: “Ôxe! Tu tá louco, homem? Pra quê carregar galinha na moto?” E aí ossuncê responde: “É que eu não achei você, minha nêga!”. É tiro e queda.



*nome

*e-mail

site ou blog

comente a postagem :: tentativas de contato por comentário serão bloqueadas