Minha filha está “ficando”. O que devo fazer?

por Dora Lorch

Os tempos mudaram. Quem tem filhos adolescentes convive atualmente com a expressão “ficar”. É uma situação nova, indefinida, mas que tem ajudado principalmente as jovens na escolha do primeiro namorado. Na verdade, o que mudou foi apenas a forma de abordagem, pois o “pedir em namoro” sempre foi (e continua sendo) um momento difícil. Antigamente, os amigos mais próximos faziam o meio de campo para descobrir se a garota aceitaria o pedido, evitando assim que o menino ficasse com cara de bobo. Hoje, eles “ficam” antes de confirmar o relacionamento.

O “ficar” acabou “pegando” porque o medo de ser rejeitado permanece o mesmo. No “ficar”, os dois podem estar juntos sem compromisso para descobrir se gostam da proximidade e até do beijo do outro. Se houver afinidade, podem continuar ficando e concluir que o namoro vale à pena. Tudo isso pode ser muito bom se predominar o respeito de ambas as partes.

Em geral, quem se casa com o primeiro namorado tende, ao longo dos anos, a se questionar se fez a escolha certa. Porém, sem comparação, há muito espaço para fantasias, como a convicção de que o casamento seria diferente se tivesse optado por outra pessoa. Certamente seria, mas o outro também teria qualidades e defeitos. Quando idealizamos, esquecemos de acrescentar os problemas e dificuldades de um relacionamento.

Outro comportamento comum de quem se casa com o primeiro namorado é o medo de sair de um relacionamento ruim por achar que ninguém mais vai querer ficar com ela. O mesmo pode acontecer com os homens. Quem não teve outros namoros, geralmente tem mais medo de arriscar. Por isso é tão importante que os pais estejam atentos e tomem alguns cuidados quando os filhos começam a “ficar”.

Primeiro, a idade dos parceiros deve ser próxima para que um muito mais velho não manipule os desejos e necessidades do mais novo e mais frágil. Depois, é importante que mesmo apaixonados, os adolescentes entendam que não podem abandonar suas vidas, ou seja, largar os estudos, a convivência familiar, os amigos. O novo parceiro deve se encaixar no meio em que o adolescente vive. Se ele for muito diferente, vale à pena a família conversar sobre o assunto.

Outro aspecto importante é não incentivar as crianças a terem comportamento de adulto. Isso quer dizer que aos dez anos o pré-adolescente está gostando de outro, mas, na maioria dos casos, é amor platônico. É uma preparação para as próximas fases.

E não adianta proibir o namoro. Quando muito jovens, no entanto, é preciso deixar o relacionamento mais leve e menos compromissado. Isso porque os pequenos crescem e mudam. Proibir pode jogá-los nos braços de alguém que você não quer. O impedimento da família os coloca no lugar de Romeu e Julieta, e isso pode unir mais do que separar. Portanto, o melhor é trazer o namorado para perto do núcleo familiar, mas com autonomia para o adolescente escolher se quer ficar junto ou se quer se separar. Nada de dizer que se ela não desmanchar o namoro você vai ficar triste. A escolha é do adolescente.

E, principalmente, conversar muito sobre os relacionamentos na internet, supervisionar os contatos dos pré-adolescentes. E falar abertamente sobre os riscos de serem levados a fazer o que não querem. Sob o risco de repassar dados íntimos para quem não conhece ou marcar um encontro sozinha com essa pessoa. São conselhos válidos também para os adultos que se conhecem pela internet.

Enfim, muita conversa. Sobre você na idade deles, sobre os relacionamentos dos amigos deles, sobre eles, sobre o que você vê daquele relacionamento. Conversas sobre a vida.




*nome

*e-mail

site ou blog

comente a postagem :: tentativas de contato por comentário serão bloqueadas