Motivos para o escravo ser bom cristão

Os livros que tratam da relação entre Igreja católica e escravidão geralmente enfatizam que a religião promoveu a aceitação desse sistema social injusto e desumano. Aliás, não se trata de uma especificidade do Brasil colonial. Há passagens na Bíblia em que os escravos são orientados a obedecer aos respectivos senhores. O apóstolo Paulo, em suas epístolas, alertou a dois deles a retornarem a casa senhorial. Algumas pesquisas, porém, revelam que eventualmente – e até mesmo a contragosto – as autoridades eclesiásticas podiam se juntar aos escravos em contraposição aos senhores. O historiador Stuart Schwartz revelou uma dessas situações ao lembrar a quantidade de feriados religiosos no período colonial. Na época da safra de cana havia 61 dias em que o trabalho era proibido pela Igreja católica. Em outras palavras, justamente nos meses em que os escravos eram “moídos” em jornadas de 10, 12 ou 14 horas, eles podiam contar com apoio do capelão ou pároco local para condenar o fazendeiro que desrespeitasse a suspensão das atividades nos domingos e dias santos. Sem dúvidas, muitos afrodescendentes foram salvos de morrer de exaustão pelo catolicismo. Para saber mais….




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