Natal, doce Natal

por Dora Lorch

Cresci numa família grande, que todo ano se comemorava o Natal. A festa era sempre bonita, tinha comidas gostosas, parentes, amigos, presentes. Tinha Papai Noel. Lembro do clima festivo, do carinho que todos tinham com todos. De comprar e embrulhar presentes escolhidos a dedo. Lembro da mesa posta para as crianças. Este é o verdadeiro espírito de Natal: pessoas reunidas celebrando esta união.

Tento me lembrar do que ganhei quando pequena. O único presente de que recordo com carinho e detalhes, curiosamente, foi o que menos custou: minha avó paterna e sua empregada fizeram várias roupinhas diferentes para nossas bonecas e colocaram numa grande caixa. Com a mesma dedicação, minha avó materna, meus pais, tios e tias, carinhosamente cuidavam, ano após ano, das festas de Natal. Cuidavam e teciam a trama da família unida. Eram verdadeiras doações pessoais. Esta postura me marcou para sempre.

Anos mais tarde, numa época em que o dinheiro andava curto, mas a vontade de presentear ainda era grande, elaborei junto com meus filhos um livrinho, feito em impressora mesmo, com as frases e casos que toda família tem, inclusive a minha.

Essa é a melhor lembrança do Natal dos últimos tempos, porque estes escritos permitiram que eu falasse da minha família para meus filhos, contasse quem era meu pai, que morreu muito antes deles nascerem, mas que era muito engraçado; contasse do meu avô; e comentasse histórias que eles não conheciam. Exemplos do que deu certo e do que não deu também, esses relatos fazem a memória de muitas gerações. Desta forma, os laços familiares vão se estreitando, as experiências de vida vão aprofundando e a boa sensação de pertencer àquele grupo deixando suas marcas. E dar este presente também foi divertido, pois rimos muito, sentimos muita falta dos que já se foram, e comemoramos o fato de poder estar juntos e com tantas recordações.

Nestes tempos, quando o dinheiro começa a faltar, o sentimento de fraternidade deve falar mais forte. Portanto, não se desespere quando não conseguir dar para seu filho o que ele pediu. Pode ser que mais tarde isso nem tenha tanta importância. Mas seu desespero de não conseguir o que acha que é importante, este vai ficar marcado na memória das crianças e adolescentes, e pode transformar a festa em um acontecimento amargo.

Aproveite para ensinar o que realmente vale a pena: estar juntos e celebrar isso. Porque o carinho, a união e a comunhão da família, isso, bem isso, ninguém apaga.

Meus votos de um Natal acolhedor e harmonioso.




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