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Os Arans migraram da Irlanda no século 13, se estabeleceram no reino dos néscios e dominaram a parte oriental da Infâmia.
Ok, vamos tentar de novo.
Edson Aran nasceu em Cássia, Minas Gerais, em 1963. O nome verdadeiro dele é Edson Arantes, o que faz dele um primo pobre, albino e perna-de-pau do Rei Pelé.
Aran queria virar cartunista. Naquela época pré-histórica, todo cartunista encurtava o nome para enganar os credores: Jaguar, Henfil, Angeli, Laerte etc. Assim, Arantes virou Aran. Pra não ser internado como esquizóide profissional, adotou a alcunha Edson Aran também em seus trabalhos como jornalista e escritor.
Aos 16 anos, Aran fundou, ainda lá em Cássia, o jornal “Raskunho”, que quase causou sua expulsão da cidade. Apesar disso, ele e outros desajustados sociais mantiveram o jornal circulando durante heróicos 13 meses. Não ficaram ricos, claro, mas nunca colocaram dinheiro do bolso para sustentar o jornalzinho.
Corte. Muitos anos depois, já em São Paulo, Aran faz a seção “Fotofofoca” que encerra a revista Contigo (era aquela das fotos com balões engraçados, lembra?). Também publica seus textos e desenhos de humor no Pasquim São Paulo, revista AZ, Istoé e Diário Popular.
Mas é na revista Vip, entre 1999 e 2003, que ele consegue finalmente juntar todo seu sarcasmo, ironia e completa falta de noção. Óbvio: acaba sendo intimado a se retirar.
Em 2004, ele é convidado para dirigir e reformular a revista Sexy. A tarefa é tão bem sucedida, que Aran acaba virando diretor de redação da PLAYBOY, cargo que ocupa desde 2006.
Perfil
O personagem que eu não esqueci: Edmund Dantès, o Conde de Monte Cristo.
O livro que ainda não li: “A Comédia Humana”, de Balzac.
O livro que sempre releio: “Nova Antologia Pessoal”, de Borges.
O autor que eu queria ser: Millôr Fernandes.
Leio poesia para ouvir a música das palavras.
Leio prosa para viajar sem sair da poltrona.
Leio biografia para? — Não leio. Prefiro histórias reais. E eu não vou explicar isso.
Leio ensaio para me divertir. Pensar é divertido.
O começo de livro que mais gosto é: “Nós estávamos em algum ponto perto de Barstow, à beira do deserto, quando as drogas começaram a bater. Eu me lembro de ter dito alguma coisa como ‘Eu estou um pouco tonto; talvez seja melhor você dirigir…’ E de repente comecei a escutar sons horríveis, e o céu estava cheio de coisas que pareciam morcegos enormes, uivando e mergulhando em direção ao carro, que estava a 160 por hora em direção a Las Vegas.” “Medo e Delírio em Las Vegas”, Hunter S. Thompson
O final de livro que mais gosto é: “Ele nunca dorme, diz. Ele diz que nunca vai morrer. Ele faz mesuras para os violinistas e recua na contradança e atira a cabeça para trás e ri guturalmente e é um grande favorito, o juiz. Meneia o chapéu e o domo lunar de seu crânio passeia pálido sob as lamparinas e ela baila pelo salão e se apossa de um dos violinos e dá piruetas e executa um passo, dois passos, dançando e tocando ao mesmo tempo. Seus pés são leves e ágeis. Ele nunca dorme. Ele diz que nunca vai morrer. Ele dança sob a luz e sob a sombra e é um grande favorito. Ele nunca dorme, o juiz. Ele está dançando, dançando. Ele diz que nunca vai morrer.” “Meridiano de Sangue”, Cormac McCarthy
O filme que não esqueci: A trilogia do Chefão, de Francis Coppola e Mário Puzo.
Faço sempre e com prazer: jogar games de estratégia no computador.
Gosto de ouvir Jazz e soul. Mais soul do que jazz, atualmente.
A minha epígrafe de hoje: “Chefes perguntam ‘quando?’, líderes perguntam ‘por quê?’.”
Meu hobby é ler gibis de super-heróis dos anos 60.
Um nome que mudou a história: Jean-Jacques Rosseau, que conseguia a proeza de ser um gênio e um imbecil ao mesmo tempo. O mundo tal qual o conhecemos não existiria sem ele.
Se eu pudesse adotar um país… Itália. Para dar menos trabalho, talvez eu adotasse só a Sicília.
Que pena que eu não escrevi isto: “Tlön, Uqbar, Orbis Tertius”, de Borges.
Se eu fosse um bicho eu seria: um gato.
Três coisas que não posso viver sem: figos frescos, bolos de fubá e livros.
Três coisas que odeio: desenhos animados japoneses, motoboys e quindim.
O que ficou da minha infância? Uma tarde quente de verão, eu e um bando de moleques brincando de cowboy na rua de pedras.
O futuro ainda quer de mim: um monte de livros.
Quando falam de mim dizem: “Lá vai aquele baixinho pretensioso metido a besta…”
Qual pecado gosto de cometer? Dos sete, acho que fico com soberba e luxúria.
Não posso dormir sem ler.
Não escrevo sobre música sertaneja. A não ser que seja pra falar mal.
Só escrevo se a ideia sobreviver alguns meses sem nenhuma anotação. Se sumir é porque merece. Se permanecer é porque merece também.
Me dá prazer comer: não posso escrever isso nesse horário.
Me dá prazer beber whisky. É a minha bebida.
Não desisto de nunca desistir.
Com o tempo aprendi que o tempo passa e nós não ficamos mais sábios, só mais velhos. E mais estúpidos.
Palestra
As revistas masculinas no Brasil e no mundo
Prêmios
2003 – prêmio HQ Mix de Melhor Publicação de Terror Contos Bizarros.
Traduções
Etiqueta Moderna – Finas Madeiras para Gente Grossa, P.J. O’Rourke, Conrad do Brasil, 1999
Mundo Bizarro, Opera Gráfica, 2003
Contos Bizarros, Abril, 2003
Livros
Na Kombi, Antologia, Barba Negra, 2010
Delacroix escapa das chamas, Record, 2009
O Imbecilismo – e outros textos de humor, Geração Editorial, 2005
Blônicas, Antologia, Jaboticaba, 2005
Conspirações – Tudo o que não querem que você saiba, Geração Editorial, 2003
Quânticus – O Destruidor de Mundos, Opera Gráfica, 2002
A Noite dos Cangaceiros Mortos-Vivos, Nova Alexandria, 2001
Aqui Jaz – O livro dos Epitáfios (com Castelo), Ática, 1996