Obra de Juan Desintèria

Pintor espanhol obrou na arte do século 20

por Edson Aran

O pintor espanhol Juan Desintéria foi um dos mais ativos pintores da primeira metade do século 20. Embora tenha produzido apenas quatro quadros, o impacto provocado por eles foi tão duradouro, que muita gente trocou as artes plásticas pela odontologia ou pelo excitante universo da contabilidade. As obras de Desintèria chegam agora ao Brasil para uma rápida exposição (15 minutos) no MAMS (Museu de Arte Moderna e Safada). Veja só o que obrou Desintèria.

Nu despencando da escada (1916)

Fortemente influenciado pelo cubo-futurismo, Juan Desintèria pinta uma mulher nua decomposta em vários quadrados sobrepostos que descem uma escada também decomposta. O último quadrado se espatifa no chão. Quando o quadro é exposto na Galeria Les Imbeciles, em Paris, o crítico Anatole Croisant fica tão excitado que vai preso por conduta pública indecorosa.

Escada despencando do nu (1918)

Depois de abandonar o cubismo, Desintèria abraça o surrealismo. O abraço é tão apertado que o surrealismo o processa por assédio sexual. O crítico Anatole Croisant depõe a favor do pintor e ambos acabam presos por conduta pública indecorosa.

Nu despencando do teto (1922)

Juan Desintèria deixa o surrealismo chorando em casa e o troca pelo concretismo. Mas como não entende direito o movimento, o pintor usa concreto no lugar de tinta, o que faz a tela afundar três andares até acertar Pablo Picasso, que mora no térreo. Todo mundo vai preso por conduta pública indecorosa.

Nu com tudo despencando (1925)

A fim de questionar os valores estéticos da arte burguesa, Desintèria retrata uma modelo de 97 anos com tudo despencando. Ele é aclamado pela Frente Redundante das Feministas Barangas e odiado por todo o mundo civilizado. Deprimido, o artista adere ao Contorcionismo e vai preso por conduta pública indecorosa.

Edson Aran (@EdsonAran) é escritor, jornalista, cartunista e desde 2006 é diretor da redação da Playboy. Publicou Na Kombi, Antologia, Barba Negra, Leya Cult, 2010; Delacroix escapa das chamas, Record, 2009; O Imbecilismo – e outros textos de humor, Geração Editorial, 2005; Blônicas, Antologia, Jaboticaba, 2005; Conspirações – Tudo o que não querem que você saiba, Geração Editorial, 2003; Quânticus – O Destruidor de Mundos, Opera Gráfica, 2002, A Noite dos Cangaceiros Mortos-Vivos, Nova Alexandria, 2001; Aqui Jaz – O livro dos Epitáfios (com Castelo), Ática, 1996.




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