Muita gente acha que chorar no preço é feio e, por conta de uma certa vergonha de regatear, acaba pagando mais caro do que poderia por algo que muitas vezes poderia sair significativamente mais barato, se apenas ela tivesse tido paciência e jogo de cintura para fazer algo que, na antiguidade, consistia em uma das mais elementares formas de comunicação: pechinchar.
É isso aí; nos países árabes e na Ásia – onde ainda predominam os mercados abertos, pechinchar não tem como objetivo apenas abaixar o preço. Na verdade, espera-se do comprador que ele tenha a cortesia de deter-se mais que alguns minutos ali avaliando a mercadoria, louvando-lhe as qualidades, apontando alguns defeitos (sim, isso também acontece) e, finalmente, trocando idéias com o mercador até que, depois de muito debate e choradeira ambos chegam a um consenso e concluem igualmente felizes a transação.
Esqueça a vergonha – senão sua negociação já começa sem firmeza. E é importante conversar discretamente com a pessoa em questão. Se perceber que quem está lhe atendendo não tem muito poder de decisão, sugira delicadamente que ela consulte um gerente ou alguém com autoridade para tal. Mas jamais diga: “eu quero falar com o gerente, vamos ver o que ele pode fazer!” Pois isso seria desautorizá-la em sua venda.
Mas eu me sinto pobre pechinchando – nem pense. Lembre-se que você é o cliente e que sempre estarão fazendo tudo para lhe agradar. Se realmente não quiser chorar no preço pergunte sobre as formas de pagamento e tente parcelar da maneira que melhor lhe convier. Isso absolutamente não quer dizer que você está pagando menos – muitas vezes ocorre até mesmo o contrário…
Cuidado com abordagem – a forma como você vai pedir um desconto é fundamental para não ferir suscetibilidades.
“Puxa vida, é linda, mas eu só posso pagar tanto. Até quanto será que o senhor pode me abaixar o preço?”. Pronto! É o começo de uma conversa agradável.
Ainda é importante lembrar que, no caso de obras de arte ou mesmo de produtos artesanais, há um valor subjetivo que vai além do valor no sentido convencional: o prazer que a peça lhe proporciona e o tempo que a pessoa gastou para executá-la.