Problemas universais: a poesia

@Steven Seagal

Fazer poema é coisa de quem tem problema

por Edson Aran

•   Poesia é coisa de quem não sabe pontuar. Em vez de escrever algo que preste, o cara joga um monte de palavras ao léu. Tudo cheio de “oh, mar!”, “oh, lua!” e “oh, céu!”

•   Poesia não pode virar filme com o Steven Seagal. E isso é mau, mas nem é o pior. Poesia não dá minissérie. Poesia não dá seriado. Poesia não dá nem novelinha na Record.

•   O poeta é sempre um sujeito depressivo e torturado. Mas a culpa é dele mesmo, coitado. “Benhê, vamos convidar o João Cabral de Melo Neto pro nosso noivado?”  “Melhor não, amor, ele vai recitar aquelas coisas de viado…”

•    Sem se relacionar com seres humanos, o poeta é enganado e traído na sua vida vazia. Aí ele se tranca no quarto e escreve mais uma poesia.

•   Por isso que poesia é sempre a mesma coisa: “a vagabunda me abandonou”; “o mundo é frio e cruel”; “a vida é uma bosta”; “oh, mar”; “oh, lua” e “oh, céu”.

•   Poeta pensa que, compondo versos, acaba comendo mulher. Mas experimente chegar na gata e jogar: “E aí, princesinha, vamos lá em casa discutir Baudelaire?”

•    Para dar algum sentido à sua existência patética, o homem da poética resolve então se engajar. Coitado. Vira um publicitário que consegue rimar.

Edson Aran (@EdsonAran) é escritor, jornalista, cartunista e desde 2006 é diretor da redação da Playboy. Publicou Na Kombi, Antologia, Barba Negra, Leya Cult, 2010; Delacroix escapa das chamas, Record, 2009; O Imbecilismo – e outros textos de humor, Geração Editorial, 2005; Blônicas, Antologia, Jaboticaba, 2005; Conspirações – Tudo o que não querem que você saiba, Geração Editorial, 2003; Quânticus – O Destruidor de Mundos, Opera Gráfica, 2002, A Noite dos Cangaceiros Mortos-Vivos, Nova Alexandria, 2001; Aqui Jaz – O livro dos Epitáfios (com Castelo), Ática, 1996.




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