Airton Ortiz autografa obra sobre o Vietnã
por Carlos André Moreira
Zero Hora – 15/10/2009
Em um de seus geniais aforismos, Millôr Fernandes lembrava que “A história do Brasil é diferente no Paraguai”. Um espírito semelhante a esse foi o que moveu o escritor e aventureiro profissional Airton Ortiz a escolher o Vietnã como o tema de seu novo livro de viagens, Vietnã Pós-Guerra, com sessão de autógrafos marcada para hoje. Na obra, Ortiz visita a Tailândia, o Laos, o Camboja e reconta a Guerra do Vietnã.
Vietnã Pós-Guerra tem uma feição peculiar se comparado a outros livros da série de viagem assinada pelo autor, como Aventura no Topo da África ou Egito dos Faraós. Em vez de realizar uma jornada histórica e arqueológica para enfrentar desafios da natureza ou reconstituir a trajetória de civilizações desaparecidas, Ortiz viaja para o país em que teve lugar um dos episódios mais dramáticos do século 20, e ocorrido há relativamente pouco tempo. É um livro de viagem com um tanto de grande reportagem, cruzando três linhas narrativas para montar um panorama da Guerra do Vietnã pela perspectiva do povo do país.
– Os relatos que a gente tem da guerra, mesmo os mais críticos, são, na maioria, do ponto de vista americano ou ocidental. Eu queria ver o que foi o conflito para quem morava lá, para os vietnamitas – explica o escritor.
O livro é resultado de uma expedição que Ortiz fez à Ásia no ano passado, que incluiu um recorrido pelos locais das mais importantes batalhas da guerra, antigas estações de comando e até os túneis cavados pelos combatentes. No primeiro foco narrativo, Ortiz conta em detalhes sua viagem pelo Vietnã em companhia do fotógrafo Luís Antônio Ferreira, abrangendo as pesquisas e entrevistas para o volume. No segundo, recupera a história da Guerra do Vietnã propriamente dita, mas deslocando o foco para o conflito visto pelos habitantes do país.
– Tão logo pisei em Hanói, descobri que o que nós do Ocidente chamamos de A Guerra do Vietnã eles chamam de “A Guerra Americana”. Para nós foi uma peça ideológica no quadro amplo da Guerra Fria, para eles foi uma luta de resistência contra um invasor.
Na terceira linha narrativa, Ortiz discute o quanto a guerra influenciou a nascente rebeldia que desembocou nos movimentos dos anos 1960.
– O ambiente de contracultura foi totalmente inflado pela Guerra do Vietnã. Embora fosse um conflito localizado, foi um episódio que teve repercussão global.