Sangue fresco nas letras por Giron
no blog de Luís Antônio Giron
22/10/2009
Os vampiros voltaram a morder a jugular da cultura. Por uma operação regressiva qualquer que ataca às vezes as gerações, o personagem sugador de sangue está na moda e começa a ser levado a sério pela comunidade acadêmica, que enxerga no personagem mais um sinal dos tempos inquietantes que vivemos.
Que os vampiros não prestam sempre me pareceu evidente. A história comprova minha convicção. Tudo se iniciou em meados do século XV, quando o o príncipe Vlad II da Valáquia adotou o nome de Dracul (“dragão”) ao ser ordenado Cavaleiro da Ordem do Dragão. Enfim, esse caudilho dos pampas húngaros poderia ter ganhado o trono do esquecimento, caso o mito não houvesse suplantado o indivíduo. A lenda (rural) era de que Dracul bebia o sangue dos inimigos. Nada extraordinário, pois muito antes o rei lombardo Albuíno fazia o mesmo, utilizando os crânios dos vencidos como taça. Para não falar de muitos povos selvagens cujos rituais incluíam antropofagia. Os românticos transformaram esse substrato bárbaro em lirismo e mistério. O romance Drácula, do irlandês Bram Stoker, publicado em 1897, finalizou a composição do personagem. Os vampiros revitalizados para o século XXI não passam de variações sobre o mesmo tema definido por Stoker.
O fenômeno pode ser visto em toda parte. As meninas de 17 anos cultuam Edward Cullen, o vampirinho da tetralogia Crepúsculo, de Stephanie Meyer, maior best-seller mundial desde Harry Poter, e agora filme. Edward é um improvável “vampiro vegetariano”, pois ele substituiu o consumo de fluido vital humano pelo dos animais. Edward morde e assopra o pescoço de sua querida Bella (notem a referência cinematográfica, pois o ator húngaro Bela Lugosi foi o mais famoso vampiro das telas, nos anos 30) e só falta dar a ela o anel da pureza, pois pretende manter sua presa virgem até a consumação das bodas, no quarto volume, com o nascimento de um bebê draculino.