Sex shop

Por Claudia Matarazzo

Fico meio sem jeito ao escrever sobre sexo. Sempre achei melhor fazer do que falar sobre isso, escrever então, parece-me dificílimo! Fui criada a moda jurássica por uma mãe que dizia que a “virgindade é a arma da mulher”. Minha sorte foi ter me rebelado cedo e conto isso apenas para que o leitor compreenda o motivo pelo qual, apesar de me considerar liberada, solta etc, etc, acabei levando mais de quarenta anos para entrar em uma sex shop.

Aliás, embora seja um conceito manjado e arcaico, acho importante enfatizar a importância da fantasia e mistério no que diz respeito a sexo. Não é à toa que, cada vez mais, as pessoas tenham de recorrer a expedientes pouco ortodoxos (e muitas vezes trabalhosíssimos) para obter um mínimo de prazer erótico.

Ok, vamos voltar a sex shop: Gosto da idéia de focar os pensamentos no prazer. Sempre achei interessante uma boutique especializada nisso. Até aí nenhuma novidade. As primeiras de que me recordo eram esquisitíssimas: lúgubres, sempre com fachadas pretas e cinzas e um ar de pecado não realizado. Depois de algum tempo elas evoluíram: tornaram-se coloridas, com vitrines festivas, declaradamente comerciais para chamar a freguesia.

Anos depois as sex shops tornaram-se “sex boutiques”. Politicamente corretas começaram a vender não apenas artigos eróticos, mas também toda uma linha supostamente no mesmo tema como lingeries, sabonetes, sachês, etc além dos brinquedinhos e invenções mais picantes.

Minha alma romântica (e um tanto safada) ainda ansiava por uma lojinha pequena, privada o suficiente e de acesso fácil na medida certa com o clima de abajur lilás das canções de Dalva de Oliveira. Parecia difícil

Até que um dia encontrei-me em frente a uma exatamente do jeito que sempre imaginei: escondida, no final de um corredor de shopping, avistei a vitrine caprichadíssima e sugestiva de uma pequena Sex Shop.

Bingo! Acreditam que até me emocionei enquanto caminhava em direção a porta? Porém, investigando as prateleiras e gôndolas, percebi que havia algo incongruente com o que eu estava preparada para encontrar.

Um choro de bebê! Procurando a fonte do som percebi que vinha de trás do balcão onde a mãe, sentada no caixa, preparava placidamente o peito para oferecer ao filho? Cena mais doméstica e prosaica impossível.

Saí tristíssima, convencida de que, definitivamente, a sex shop que eu idealizara só existia na minha imaginação. Onde está a sensualidade das pessoas desse país tão tropical? Ou a criatividade, ou a imaginação?

Há poucos meses recebi um convite para a inauguração de mais uma, aberta há poucas quadras da minha casa: “Maison Z” dizia o nome. Com medo de mais uma decepção, deixei que o acaso me levasse a sua soleira e entrei sem grandes expectativas.

A surpresa – tão agradável quanto estimulante – que tive ao visitar seus três andares lindamente decorados foi tamanha, que não vou privar o leitor interessado em visitar o local com a descrição do lugar. Melhor, muito melhor, conferir pessoalmente.




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