Uma trégua, por favor!

@Mario Benedetti

por Ana Lou para Página da Cultura

Já trabalhei como vendedora em duas livrarias daqui de São Paulo e ao contrário do que muitos pensam não é um trabalho fácil, tranquilo e prazeroso. Não podemos passar o dia lendo e não damos conta de ler todos os livros. Para ser bem honesta nem queremos, afinal alguns títulos causam verdadeira repulsa em quase todos os vendedores assim que chegam à livraria.

Em nosso trabalho somos constantemente abordados e as pessoas, ao contrário do que vocês possam imaginar, nunca sabem ao certo o que desejam ler. Muitos leitores estão em busca de sugestões e nós vendedores estamos lá para auxiliá-los nessa árdua tarefa que é encontrar um livro para um desconhecido e fazê-lo acreditar que sim, nós temos bom gosto, sim você vai se divertir e nem vai querer cortar os pulsos no final. Sim o livro é caro, custa R$ 39,90, mas vale cada centavo, pode passar no caixa e levá-lo para casa que você não vai se arrepender.

Falando nisso, me lembro bem quando me vi apaixonada por todos os livros do autor uruguaio Mario Benedetti que infelizmente faleceu a dois anos no dia 17 de maio. Entre eles, um me tocou em especial e se chama “A Trégua”.

A obra  escrita em formato de diário em que o autor conta a história de Martín Santomé, um homem de mais ou menos cinquenta anos, viúvo, pai de três filhos (inclusive não se relaciona muito bem com nenhum deles) e que nos últimos anos conta os dias para se aposentar e usar o seu tempo para fazer as coisas que mais gosta me prendeu, eu simplesmente não conseguia parar de ler.

Principalmente, quando  em meio ao tédio que é a vida de Santomé, o destino lhe prega uma peça e o faz treinar alguns jovens recém admitidos pela empresa e que irão trabalhar em seu departamento, entre eles a jovem Laura Avellaneda que de início não lhe desperta nenhum interesse, porém depois de algum tempo ele percebe cada detalhe do seu corpo: um dia seus olhos, um dia seus cabelos, seus belos pares de pernas e que talvez exista a possibilidade de ser correspondido na sua paixão que o pegou de surpresa.

Um romance surpreendente, arrebatador, mas não tão óbvio quanto imaginam.

A dica de hoje é que o autor sempre costuma entregar o final da história com o próprio título do livro. Ficaram curiosos? Então, boa leitura!




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