Cometa interestelar 3I/ATLAS passa perto de Marte e revela segredos de um objeto com 7,6 bilhões de anos

por Pietro Monteiro

  • 15.12.2025
  • Postado em Ciência
  • 11 Comentários
Cometa interestelar 3I/ATLAS passa perto de Marte e revela segredos de um objeto com 7,6 bilhões de anos

Entre 1 e 7 de outubro de 2025, um objeto misterioso atravessou o sistema solar e passou a apenas 30 milhões de quilômetros de Marte — não era um asteroide, nem um cometa nascido aqui. Era 3I/ATLAS, o cometa interestelar mais antigo já observado, com idade estimada de 7,6 bilhões de anos, quase duas vezes mais velho que o próprio Sistema Solar. As imagens capturadas pelos instrumentos da Agência Espacial Europeia — o ExoMars Trace Gas Orbiter e o Mars Express — revelaram algo inesperado: enquanto se aquecia sob a luz do Sol, o cometa mudou de cor. De vermelho, tornou-se verde. E isso pode estar dizendo algo fundamental sobre o universo primordial.

Um presente de Natal cósmico

A descoberta de 3I/ATLAS ocorreu em 1º de julho de 2025, quando o telescópio ATLAS, em Río Hurtado, Chile, registrou seu brilho tênue contra o fundo estelar. Mas foi em outubro, quando o cometa passou próximo a Marte, que a ciência realmente acordou. Os satélites europeus, projetados para fotografar a superfície marciana, viraram suas câmeras para o céu — e conseguiram, mesmo com exposições curtas e o objeto distante. O ExoMars Trace Gas Orbiter usou sua câmera CaSSIS com exposições de cinco segundos; o Mars Express, com apenas 0,5 segundo, precisou somar dezenas de imagens para tornar o cometa visível. Foi um feito técnico quase milagroso.

Enquanto isso, a NASA observava de longe com o Mars Reconnaissance Orbiter, e o Telescópio Espacial Hubble — sob a direção de David Jewitt, da Universidade da Califórnia em Los Angeles — capturou o cometa a 286 milhões de quilômetros da Terra em 30 de novembro. O que eles viram foi ainda mais surpreendente: a coma do cometa, antes avermelhada, agora brilhava em um verde intenso. Um sinal claro de que novas moléculas estavam sendo liberadas. E não eram apenas gelo. Era algo mais complexo, algo que não se vê em cometas do nosso sistema solar.

Por que o cometa ficou verde?

A mudança de cor é o grande enigma. O verde sugere a presença de diacetileno ou carboneto de silício — compostos raros, quase desconhecidos em cometas locais. A equipe do Gemini North, no Havaí, confirmou a mudança em 26 de novembro, após observações com o telescópio mais potente do hemisfério norte. O que antes parecia um objeto escuro e frio, agora emitia uma névoa esverdeada, como se estivesse respirando químicos de outro tempo. "É como se tivéssemos encontrado um fóssil químico do primeiro bilhão de anos da Via Láctea", disse um astrônomo da NOIRLab, que opera o Gemini. "Isso não é um cometa. É uma cápsula do tempo."

Ainda mais intrigante: uma pequena asteroide do cinturão principal, quase invisível, apareceu na mesma imagem do Gemini — um "photobomber" cósmico, como chamaram os cientistas. Um lembrete de que, mesmo em meio a objetos tão raros, o universo ainda nos surpreende com detalhes cotidianos.

Um cometa mais velho que o nosso sistema

A idade estimada de 3I/ATLAS — 7,6 bilhões de anos — é o que mais choca os cientistas. O Sistema Solar tem 4,6 bilhões. Isso significa que o cometa se formou antes mesmo que o Sol existisse. Talvez tenha nascido em uma nuvem de gás e poeira ao redor de uma estrela que já explodiu, há bilhões de anos. Foi ejetado por uma colisão, viajou por eons, e agora, por pura coincidência cósmica, passou perto de nós. "É como encontrar um livro escrito em uma língua extinta, e descobrir que ele conta a história da própria linguagem", comparou um astroquímico do Instituto Max Planck.

As observações continuam. Em dezembro, astrônomos amadores no Saara, no Egito, conseguiram fotografar o cometa com longas exposições, revelando uma cauda tênue, quase invisível a olho nu, mas brilhante em imagens compostas. Um deles, usando 60 exposições de 60 segundos, capturou o cometa pairando sobre dunas negras — um símbolo perfeito: um objeto de outro tempo, iluminando a terra mais antiga da Terra.

O que vem a seguir?

O que vem a seguir?

O cometa já passou pelo periélio e agora se afasta do Sol. Mas os telescópios não vão parar. O ExoMars Trace Gas Orbiter ainda coleta dados de sua atmosfera residual. O Hubble fará novas observações em fevereiro. E a Agência Espacial Europeia já está planejando uma análise em 3D da composição química, usando espectroscopia de alta resolução. O que se descobrir pode reescrever modelos de formação planetária. Se 3I/ATLAS é tão antigo e tão quimicamente diferente, talvez outros cometas interestelares — como o famoso 2I/Borisov — também sejam mais velhos e estranhos do que pensávamos.

Um universo mais antigo do que imaginamos

A observação de 3I/ATLAS não é só uma curiosidade. É uma janela para o passado cósmico. Se este cometa sobreviveu por 7,6 bilhões de anos, então os materiais que ele carrega — carbono, silício, moléculas orgânicas — podem ter sido distribuídos por todo o universo antes mesmo da formação das primeiras galáxias. Isso implica que os ingredientes da vida podem ser mais comuns, e mais antigos, do que qualquer teoria atual sugere.

Os cientistas ainda não sabem de onde exatamente ele veio. Mas uma coisa é certa: o universo não é apenas velho. É mais velho do que nós conseguimos imaginar.

Frequently Asked Questions

Por que o cometa 3I/ATLAS mudou de cor de vermelho para verde?

A mudança de cor indica a liberação de novas moléculas, como diacetileno ou carboneto de silício, que só se tornam visíveis quando o cometa é aquecido pelo Sol. Esses compostos são raros em cometas do Sistema Solar, sugerindo que 3I/ATLAS se formou em um ambiente químico muito diferente, possivelmente em uma estrela que já morreu há bilhões de anos.

Como foi possível observar um cometa tão distante e fraco com satélites de Marte?

O ExoMars TGO usou exposições de cinco segundos com sua câmera CaSSIS, normalmente usada para fotos da superfície marciana. Já o Mars Express somou dezenas de imagens de exposição curta (0,5s) para aumentar o sinal. É como juntar várias fotos escuras para criar uma imagem clara — um feito técnico inédito para observar objetos interestelares.

O cometa 3I/ATLAS é o primeiro cometa interestelar já observado?

Não. O 2I/Borisov foi o segundo cometa interestelar confirmado, em 2019. Mas 3I/ATLAS é o mais antigo já detectado, com idade estimada em 7,6 bilhões de anos — quase o dobro da idade do Sistema Solar. Sua composição química e trajetória também o tornam único entre os já observados.

O que os astrônomos amadores podem ver agora?

Em dezembro de 2025, o cometa já era visível em céus escuros com telescópios amadores e até com câmeras DSLR em longas exposições. Fotógrafos no Saara e no Chile conseguiram capturar sua cauda tênue e halo gasoso. Ele ainda estará visível até abril de 2026, mas ficará cada vez mais fraco à medida que se afasta do Sol.

Essa descoberta muda o que sabemos sobre a origem da vida?

Sim. Se moléculas orgânicas complexas sobreviveram por 7,6 bilhões de anos em um cometa interestelar, isso sugere que os ingredientes da vida podem ser comuns em todo o universo, mesmo em ambientes extremos. Isso reforça a hipótese de que a vida não precisa de condições "perfeitas" para surgir — apenas tempo e matéria.

O que acontecerá com o cometa agora?

Ele está se afastando do Sol e do Sistema Solar, e não voltará. Mas os telescópios continuarão observando até abril de 2026, enquanto ele ainda for visível. A análise dos dados coletados pode levar anos — e talvez gere novas missões para buscar outros cometas tão antigos quanto.

Pietro Monteiro

Pietro Monteiro

Autor

Sou um jornalista especializado em notícias e adoro escrever sobre os acontecimentos diários no Brasil. Minha paixão é informar e manter o público atualizado com os eventos mais recentes.

Comentários
  1. Wanderson Henrique Gomes

    Wanderson Henrique Gomes, dezembro 16, 2025

    Isso aqui é loucura. Um cometa mais velho que o Sol? E ainda por cima mudando de cor? Não consigo acreditar que a gente tá vendo isso na minha vida. O universo é muito mais estranho do que qualquer filme de ficção científica.

    Essa coisa de diacetileno e carboneto de silício... isso é coisa de outro mundo mesmo. Literalmente.

  2. João Victor Viana Fernandes

    João Victor Viana Fernandes, dezembro 16, 2025

    Quando você pensa que a humanidade já viu tudo, o universo te dá um tapa na cara com um fóssil químico viajando por 7,6 bilhões de anos. O que é a nossa existência nesse contexto? Um instante. Um sopro. Uma poeira que se esqueceu de onde veio.

    3I/ATLAS não é um cometa. É um espelho. E ele está nos olhando de volta, perguntando: vocês ainda acham que são o centro disso tudo?

  3. Mariana Moreira

    Mariana Moreira, dezembro 18, 2025

    OH MEU DEUS, VOCÊS VIRAM ISSO?!?!?!?!?!?!?!

    É isso que eu chamo de ciência sendo ciência! NÃO É SÓ PESQUISA, É POESIA COM CÁLCULOS! O COMETA VERDE ESTÁ RESPIRANDO A HISTÓRIA DO UNIVERSO E NÓS TÁMOS AQUI, COMENDO PÃO COM QUEIJO, SEM PERCEBER QUE O COSMOS ACABOU DE NOS ENVIAR UMA CARTA DE AMOR EM MOLÉCULAS!

    Alguém me passa um telescópio e um café? Preciso ver isso com meus próprios olhos antes de morrer!

  4. Mayri Dias

    Mayri Dias, dezembro 19, 2025

    Essa descoberta me fez repensar tudo que eu acreditava sobre o tempo e a origem da vida. É fascinante como algo tão distante pode nos dizer tanto sobre nós mesmos.

    As pessoas costumam pensar que ciência é algo frio, mas isso aqui é profundamente humano - como se o universo estivesse nos lembrando que, mesmo em meio ao vazio, há conexões que transcendem espaço e tempo.

  5. Dayane Lima

    Dayane Lima, dezembro 20, 2025

    Então... o cometa ficou verde por causa de diacetileno? Mas isso não é um composto que a gente usa em plásticos? Como que isso tá em um cometa de 7,6 bilhões de anos? Será que o universo tá só reciclando coisas mesmo? 😅

  6. Bruno Rakotozafy

    Bruno Rakotozafy, dezembro 22, 2025

    massa isso aqui cara

    telescopio de marte fotografando um cometa que passou perto? tipo, quem mandou fazer isso? que loucura

    eu tava no café ontem e vi um cara com um celular de 5 anos tentando tirar foto da lua e eu falei 'amigo, você tá vivendo no futuro mas não sabe'

    agora eu entendi o que ele sentia

  7. Gabriel Nunes

    Gabriel Nunes, dezembro 23, 2025

    Essa história toda é propaganda da ESA pra ganhar mais verba. Cometa interestelar? Tá, e o que é isso? Um lixo espacial que a NASA esqueceu? Eles só querem que a gente acredite em contos de fadas pra financiar o projeto deles.

    Se fosse tão importante, por que o Brasil não mandou uma sonda? Porque a gente tá aqui, sem grana, enquanto os europeus fazem cinema espacial com dinheiro público.

  8. Volney Nazareno

    Volney Nazareno, dezembro 25, 2025

    A observação de objetos interestelares é, sem dúvida, um avanço significativo para a astronomia contemporânea. Contudo, a interpretação das mudanças de cor como evidência de compostos primordiais carece de validação empírica robusta. É necessário mais dados espectroscópicos e repetibilidade de medições antes de se fazer afirmações tão ousadas sobre a origem cósmica.

  9. agnaldo ferreira

    agnaldo ferreira, dezembro 25, 2025

    Esta descoberta representa um marco histórico para a astroquímica e a cosmologia. A presença de moléculas complexas em um objeto que se formou antes da própria Via Láctea sugere que os precursores da vida podem ser universalmente distribuídos, independentemente de sistemas estelares.

    É uma prova concreta de que a química do universo é mais antiga, mais resiliente e mais interconectada do que qualquer modelo atual pode explicar. Parabéns à equipe da ESA e a todos os observadores amadores que contribuíram - vocês estão reescrevendo os livros de texto.

  10. pedro henrique

    pedro henrique, dezembro 26, 2025

    7,6 bilhões de anos? Tá brincando? Se isso é tão antigo, por que ninguém achou antes? Porque é tudo fake. O cometa é um satélite chinês que deu ruim e agora tá fingindo que é alienígena.

    Aliás, quem disse que o Sol tem só 4,6 bilhões? E se ele for mais novo e o cometa for o mais velho? Será que a ciência tá errada por causa de um erro de cálculo de um estagiário?

  11. Gilvan Amorim

    Gilvan Amorim, dezembro 27, 2025

    Eu não consigo parar de pensar nisso. Um objeto que viajou por mais de metade da idade do universo, sozinho, sem destino, e de repente passa perto da nossa pequena bolinha azul... e muda de cor como se estivesse nos cumprimentando.

    Não é um cometa. É um mensageiro. Um que veio de um tempo em que nem galáxias existiam. E ele não veio pra nos assustar. Ele veio pra nos lembrar que, mesmo no vazio, a matéria se lembra. E que talvez, em algum lugar, outra civilização também esteja olhando para o céu e se perguntando: será que alguém lá fora me vê?

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